Davos, Suíça, 28 (AE) - O dólar poderá desvalorizar-se entre 10% e 15% diante do euro e do iene para atingir um nível mais adequado, segundo o diretor do Instituto de Economia Internacional, C. Fred Bergsten. Ele faz essa projeção num trabalho preparado para apresentação numa sessão de amanhã do Fórum Econômico Mundial. O crescente déficit em conta corrente dos Estados Unidos - a projeção para este ano é de um rombo de US$ 300 bilhäes - é um dos fatores apontados para explicar para justificar a hipótese da desvalorização.
A possível depreciação do dólar será parte de um quadro complexo de tensäes internacionais, com risco de pressäes protecionistas e redução do crescimento e dos mercados. Cenários preocupantes estão sendo apresentados por vários economistas em Davos. Há maus presságios também para o setor financeiro. Quinhentos dos principais bancos do mundo rico têm US$ 2,5 trilhäes aplicados em empréstimos a mercados emergentes e capital acionário de US$ 1,6 trilhão. Grande parte desses créditos é insegura e, se houver problemas no mercado, esses bancos poderão perder o equivalente a metade do capital, disse hoje o economista chefe do Deutsch Bank para a região da µsia-Pacífico, Kenneth Courtis. Esta foi apenas uma das hipóteses sombrias traçadas em mais de uma sessão, hoje, na reunião do Fórum Econômico Mundial.
Excesso de capacidade na indústria, excessivo endividamento dos emergentes, baixo crescimento na maior parte do mundo, risco de um forte desaquecimento nos Estados Unidos e perigo de uma crise mais grave no Japão foram os pontos preocupantes apontados pelo economista do Deutsch Bank. O excesso de capacidade foi exemplificado com o caso da indústria automobilística: pode produzir 60 milhäes de automóveis por ano, mas só tem havido demanda para 44 milhäes.
A economia norte-americana, observou, tem sido o principal motor de crescimento para todo o mundo, nos últimos tempos, mas a prosperidade nos Estados Unidos tem sido sustentada pelo consumo. Esse consumo, acrescentou, tem sido estimulado pela sensação de riqueza criada pelo desempenho da bolsa. Como contrapartida, tem havido poupança familiar negativa e crescente déficit nas contas externas do País. Se as tendências se mantiverem, a dívida externa líquida norte-americana em quatro anos equivalerá a 25% do Produto Interno Bruto do País.
Vários governos, lembrou Courtis, têm reduzido impostos e juros. Aprofundar essa política poderá ser um meio de reduzir o excesso de capacidade e evitar uma severa contração da economia mundial.
O risco de uma desvalorização da moeda chinesa tem causado preocupaçäes. O governo chinês tem desmentido essa hipótese, embora tenha começado a admiti-la no caso de um desajuste muito grande. Nas condiçäes de hoje a desvalorização seria prejudicial à China, disse hoje o economista Justin Lin Yi Fu, diretor do Centro de Pesquisa Econämica da Universidade de Pequim. Para começar, disse, as exportaçäes chinesas têm caído, mas a baixa das importaçäes tem sido maior. Na balança comercial, portanto, não há problema. Em segundo lugar, a maior parte das exportaçäes chinesas vai para a µsia. As vendas têm caído porque em vários países da µsia o poder de compra diminuiu. Não se trata de um problema de preço dos produtos chineses.
Em terceiro lugar, uma desvalorização de 10% faria aumentar de US$ 20 bilhäes o serviço da dívida externa chinesa. A maior ameaça à recuperação das economias da µsia, agora, seria uma interrupção brusca do crescimento norte-americano, provocado, por exemplo, pela ruptura da bolha de valorização das bolsas.

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