Washington, 20 (AE) - A dolarização das economias da América Latina, proposta pelo presidente da Argentina, Carlos Menem, logo depois da desvalorização do real, em janeiro, já foi rejeitada pelo Brasil e tem sido pouco mencionada pelos argentinos. Mas o debate em Washington continua.
Hoje o economista-chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ricardo Hausmann, defendeu a adoção do dólar ou de uma moeda comum pelos países do continente americano. "Essa é uma questão para ser debatida agora e considerada seriamente a partir do ano 2000", disse.
O calendário é político: os três países mais interessados nessa questão realizarão eleições presidenciais nos próximos meses. A Argentina, principal sócio do Brasil no Mercosul (união aduaneira, da qual participam também o Paraguai e o Uruguai), elegerá o novo presidente em outuro. O México, outro interessado na dolarização, terá eleições em agosto do próximo ano. Os norteamericanos também votarão por um novo governo no ano 2000.
Numa mesa redonda - da qual participaram o diretor de Pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michael Mussa, e o secretário de Tesouro adjunto, Ted Truman - Hausmann explicou que economias com moedas fracas são especialmente vulneráveis. Esses países, disse, são aqueles que não podem obter empréstimos domésticos no curto prazo nem podem negociar empréstimos em sua própria moeda no exterior.
EUA - Esses dois fatores, disse Hausmann, faz com que essas economias sejam afetadas por qualquer mudança internacional. Mussa foi menos categórico. Para ele, a adoção de uma boa política monetária garante melhores resultados que o câmbio flutuante ou fixo.
Ted Truman disse que os Estados Unidos não vão negociar sua política econômica com os países que quiserem adotar o dólar como moeda. Mas, ao mesmo tempo, admitiu que, se muitos quiserem seguir esse caminho, acabarão exercendo pressão sobre o governo norteamericano. Os Estados Unidos, disse Truman, estão abertos para qualquer discussão.

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