Economista diz que reforma diminui desigualdades
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terça-feira, 14 de setembro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 15 (AE) - A reforma da Previdência Social é necessária para diminuir as desigualdades sociais, afirmou hoje a economista Eliana Cardoso, gerente setorial de Análise Econômica do Banco Mundial (Bird), durante o 13º Congresso Brasileiro de Economistas e 7º Congresso de Economistas da América Latina e Caribe, no Hotel Glória, na zona sul do Rio.
"O sistema hoje é extremamente injusto", criticou Eliana, ex-assessora internacional do ministro da Fazenda, Pedro Malan.
Ela argumentou que, enquanto a aposentadoria média dos trabalhadores da iniciativa privada é menor do que dois salários mínimos, no serviço público, o valor médio fica em torno de 50 salários mínimos. "É preciso acabar com o privilégio dos governantes, o que é o mais difícil de se fazer", alertou Eliana.
Na palestra que fez no congresso, Eliana lembrou que, na Argentina, Brasil e Chile, as reformas estruturais, em vez de canalizar as verbas sociais para educação e saúde, foram gastas, na maior parte, com a seguridade social. A consultora do Bird citou pesquisa da Comissão Econômica para América Latina e Caribe das Nações Unidas (Cepal), feita em 1998, mostrando que os gastos nas áreas de seguridade e educação universitária beneficiam os grupos mais ricos da população.
Neste ano, informou a economista, o Conselho dos Diretores do Banco Mundial aprovou um novo instrumento, os "empréstimos especiais para ajustamento estrutural" com o objetivo de ajudar os países emergentes a recobrar a cofinança dos mercados financeiros. A Argentina e o Brasil foram beneficiados com estes empréstimos. O pacote de empréstimos para o País corresponde a um total que pode chegar a mais de US$ 4,5 bilhões, até 2002, dos quais US$ 1 bilhão foram aprovados pelo banco, para sustentar programas de proteção social e reforma da seguridade social.
A economista negou que as reformas governamentais realizadas pelos países sul-americanos tenham sido as responsáveis pelas crises econômicas que estes países atravessam neste ano. De acordo com Eliana, os problemas foram causados por choques externos - a crise russa e a queda dos preços dos produtos básicos que são exportados pelos países sul-americanos. A consultora do Bird acredita que, se não houver mais choques externos, as exportações do Brasil devem voltar a crescer, depois que a política de câmbio foi alterada, em janeiro.


