Rio, 06 (AE) - O economista brasileiro José Alexandre Scheinkman, professor da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, alertou hoje que o Brasil não está preparado para crescer continuamente pelos próximos dez anos. Scheikman, que esteve no 23º Congresso Internacional para Financiamento Habitacional, no Hotel Sheraton, em São Conrado, na zona sul do Rio, afirmou que os níveis de poupança, investimento em educação e a estrutura tributária impedem o desenvolvimento.
Ele explicou que o nível de poupança do País precisaria ficar entre 25% e 27% do Produto Interno Bruto (PIB) para sustentar o desenvolvimento. Atualmente, o índice está em 20%, dos quais 4% correspondem a dinheiro estrangeiro. "A importação de poupança interna não é mais possível", afirmou.
Para o economista, a aplicação em poupança só poderia crescer se o governo brasileiro mudasse sua estrutura de gastos, passando a investir mais e gastar menos em despesas correntes. "O governo contribui negativamente para a poupança do País ao arrecadar uma parcela importante de impostos, pegar dinheiro no mercado e investir pouco", avaliou.
Scheinkman criticou também o baixo nível de despesas com educação secundária para treinar a força de trabalho do País. "Grande parte do gasto governamental vai para o ensino superior", reprovou. A reforma tributária é uma necessidade antiga, afirmou o professor da Princeton. Ele afirmou que o sistema atual de impostos incentiva a economia informal, que é menos produtiva do que o setor formal.
Fed - O economista afirmou que, atualmente, não há indícios de inflação nos Estados Unidos que justifiquem uma alta da taxas de juros norte-americanas pelo Federal Reserve Board (Fed), o banco central daquele país. "Espero que o Fed se preocupe com a inflação e não com o preço dos ativos (bens, valores e créditos que formam o patrimônio das empresas)", avaliou. "Os Estados Unidos tiveram aumento de ativos durante toda a década e inflação baixa", lembrou.

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