Economista diz que juro menor permitiria salário mínimo mais alto
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 22 (AE) - O Brasil pode pagar um salário mínimo bem maior que o atual, segundo o economista e pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp), Márcio Pochmann, que hoje divulgou um levantamento sobre o assunto. Para ele, uma redução de menos de um ponto porcentual na taxa de juros já proporcionaria economia com a dívida pública (hoje de R$ 520 bilhões) suficiente para cobrir reajuste de 30% no salário mínimo. Esse aumento, que elevaria o piso para US$ 100, vem sendo defendido pelo PFL.
Pochmann afirmou ainda que se todos os anos o governo colocar o déficit da Previdência Social como entrave para reajustar o mínimo, em breve mesmo salário simbólico de R$ 10,00 seria colocado como um problema intransponível. "O problema da previdência é estrutural e não será resolvido matando de fome 12 milhões de aposentados" disse. Muito menos, afirmou o professor
mantendo baixos os rendimentos de 15 milhões de trabalhadores da ativa que recebem o piso.
O trabalho do economista mostra que entre 1940, quando o mínimo foi criado, e 1999 a renda per capita do brasileiro foi multiplicada por quase cinco vezes, enquanto o poder aquisitivo do salário mínimo caiu a menos da metade. Em 1957, por exemplo, o salário mínimo anual chegou a representar 2,7 vezes (170%) a renda per capita dos brasileiros. Já em 1999 representou apenas 28%.
A variação do poder aquisitivo médio, por década, do salário mínimo foi gritante. Nos anos 60, esse poder aquisitivo era de 87%, em comparação a maio de 1940. Nos anos 70, caiu para 60,8%. Nos 80, para 51,8%. Finalmente, nos anos 90, o poder aquisitivo médio chegou a sua pior marca: 26,7%. Pochamann usou como fontes indicadores do IBGE e Dieese.
O economista fez também comparações com outros países. Em 1999, o salário mínimo equivalia a 28% da renda per capita dos brasileiros. Na Argentina, também no ano passado, a relação era de 42,9%. No Uruguai, de 47,5%. Nos Estados Unidos, de 38,7%. A Europa ostenta as melhores relações. Na Espanha, por exemplo, o salário mínimo equivalia no ano passado a 54,9% da renda per capita local, e na Inglaterra a 50,7%.


