Economista diz que diagnóstico foi equivocado
Economista diz que diagnóstico foi equivocado14/Mar, 20:31 Por Isabel Dias de Aguiar São Paulo, 14 (AE) - O Plano Collor foi fruto de um diagnóstico equivocado, segundo a interpretação de alguns economistas. O resultado desse equívoco deverá ser sentido ainda por décadas, de acordo com a avaliação do vice-presidente da Fundação Getúlio Vargas, Carlos Ivan Simonsen Leal. "Será preciso que morra toda a população que viveu essa experiência negativa para que os efeitos do confisco da poupança cessem", afirmou Leal. A desconfiança e a insegurança provocada pela medida que abalou toda a sociedade destruiu a inclinação natural da população em poupar. A intervenção violenta na economia não proporcionou nenhum resultado positivo, acredita o economista. Ao contrário, provocou uma brutal elevação do custo e do tamanho da dívida pública. O Plano Collor foi uma demonstração de ignorância dos princípios básicos da economia, disse Leal. "Foi uma coisa de louco, uma grande besteira", afirmou. O economista Antônio Corrêa de Lacerda também qualifica o Plano Collor como uma aventura mal-sucedida. Segundo acredita, o diagnóstico estava equivocado. A equipe liderada por Zélia Cardoso de Mello acreditava que bastava enxugar a liquidez para acabar com a inflação. "O raciocínio era do mesmo estilo do presidente da República, que acreditava ser possível acabar com a inflação com apenas um tiro." Lacerda lembra que o impacto foi desastroso sobre a atividade econômica. "O Produto Interno Bruto caiu 4% naquele ano, o que provocou um forte aumento do desemprego." A diretora do Departamento de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) , Clarice Seibel, acredita que o Plano Collor teve pelo menos um ponto positivo. Para ela, serviu para "acordar" a sociedade, cujas estruturas foram abaladas pela violência que representou o confisco da poupança. "Ninguém ficou no mesmo lugar e isso contribuiu para que fosse criado um clima favorável a mudanças, dessa vez positivas." Lacerda concorda com essa avaliação. Para ele, a sociedade vinha sendo cobaia de uma série de experiências desastradas e o Plano Collor, pelo inusitado que representou, levou a sociedade a cobrar do governo medidas mais sérias. Segundo Clarice, as profundas transformações que ocorreram, a partir de então, no mundo ajudaram o Brasil a "sair do lugar", até obter o relativo equilíbrio da economia e controle da inflação.





