São Paulo, 02 (AE) - O sócio-diretor da MCM e ex-diretor do Banco Central, José Júlio Senna, considerou "rigorosamente correta" a decisão de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom), de não alterar a taxa de juro básica, que foi mantida em 19,5%, com viés neutro. Na reunião do próximo dia 22, Senna acredita que, mantidas as condições atuais nos cenários interno e externo, o Copom manterá inalterada a taxa de juro. "Até onde a vista alcança, essa é a tendência", afirmou.
Segundo ele, se o Copom reduzisse a taxa, estaria "desprezando" as informações que o mercado financeiro vem dado ao Banco Central nas últimas semanas. Essas informações revelam insegurança em relação à capacidade política do governo federal de conduzir o necessário ajuste fiscal. A ampla oferta de títulos cambiais e a apresentação de um austero Orçamento da União para 2000 foram respostas a essas incertezas.
A elevação do juro, em contrapartida, seria uma decisão imprudente, de acordo com Senna, porque, de um lado, reforçaria junto ao mercado a percepção de risco do Brasil. E, de outro lado, geraria o "desconforto de não saber aonde iria parar" essa eventual alta. O mercado ficaria inseguro mesmo se o viés neutro fosse mantido pelo Copom.
De acordo com Senna, a redução de 20% para 10% no compulsório sobre depósitos a prazo não deve reduzir de forma significativa a taxa de juro para o consumidor final. "É pouco, mas é um passo nessa direção", disse, lembrando que, além do compulsório, as financeiras têm outros obstáculos para reduzir o valor das taxas ao tomador final, como tributação, inadimplência e custos operacionais.

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