São Paulo, 08 (AE) - O economista Claúdio Haddad, ex-Garantia, não vê qualquer sentido no argumento de que a venda do Banespa para um banco estrangeiro implicaria no risco de transferência ao exterior do poder sobre as finanças no País. "Em mais de 20 anos de vida bancária, nunca vi bancos nacionais e estrangeiros agir com orientações diferentes; ambos visam ao lucro", argumentou Haddad, ao defender a participação dos estrangeiros no leilão. "Não vejo razão alguma para não deixar o estrangeiro entrar." Quando a conjuntura apresenta uma boa opção, todos "correm atrás". Ao contrário, se o momento é ruim
todos os bancos saem correndo. Diante do risco da desvalorização, os bancos, nacionais e estrangeiros, buscam proteção e compram dólares, segundo avaliou Haddad, que descartou também o argumento de que o sistema financeiro está sob risco de desnacionalização, à medida que o capital nacional detém a maioria absoluta do mercado de bancos do País.
"O Banespa já deu um prejuízo forte para o contribuinte; quando mais a União arrecadar, será melhor", afirmou. Ele não vê nenhum sentido na pressão para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financie os bancos nacionais que disputarem o Banespa. "Os bancos nacionais têm tido ótimos lucros e não teriam nenhum problema para levantar recursos no exterior", disse, ponderando que as instituições brasileiras são tão "sólidas" quanto as estrangeiras. "Seria difícil justificar um financiamento do BNDES nesse caso", sustentou Haddad.

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