Economista defende controle de câmbio para evitar volta da inflação
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domingo, 14 de março de 1999
Por Renata Rondino 
São Paulo, 15 (AE) - O economista Paulo Nogueira Batista Júnior defendeu hoje o controle do câmbio como forma de conseguir evitar a volta da inflação. "Não é possível o governo mudar para o regime de flutuação do dólar de peito aberto", afirmou ele, durante o seminário "Reflexos e Perspectivas do Atual Momento Brasileiro", promovido pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Segundo ele, o governo precisa ter mecanismos rígidos para restringir as transações financeiras externas privadas. "É importante adotar uma postura cautelosa, sem adotar necessariamente medidas como centralização do câmbio. É preciso uma espécie de flutuação coordenada", disse.
Na avaliação do economista, se os índices de inflação atingirem níveis muito elevados, vai ser muito difícil evitar a indexação de preços e salários. "Por isso o governo precisa sufocar essa ameaça inflacionária", disse. Segundo Nogueira, o Brasil poderia desvalorizar o dólar em até 30% no início do ano, sem que isso pudesse quebrar a estabilidade monetária. Como a desvalorização cambial foi muito superior a isso, o risco de inflação é muito alto.
No entanto, explicou Nogueira, se o mercado de câmbio se mantiver tranquilo e o governo conseguir reduzir as taxas de juros, o cenário poderá melhorar no médio prazo. Para o ano que vem, há a possibilidade de retomada do crescimento da economia. "Com o regime de flutuação do dólar, acabamos com o desequilíbrio externo que era o principal freio para o nosso crescimento."
O seminário contou com a presença da deputada estadual Yeda Crusius (PSDB) que, durante sua apresentação, afirmou que o andamento da Reforma Tributária vai depender basicamente de um novo pacto federativo, ou seja, de um acordo entre governo e Estados em relação às dívidas para se estabelecer estimativas de receitas e despesas e resolver a questão da responsabilidade fiscal dos governadores. "Com a possibilidade de reeleição, creio que os governadores têm todo o interesse em acertar", disse a deputada.


