Rio, 09 (AE) - O governo brasileiro deve apoiar a mudança da estratégia das empresas sediadas no Brasil para que elas conquistem novos mercados, afirmou hoje o economista Antônio Barros de Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no seminário "Desenvolvimento: o Fato e o Mito", na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Na análise do economista, esta atuação vai acelerar o aparecimento dos efeitos positivos da mudança da política de câmbio.
Na opinião de Barros de Castro, a mudança da estratégia dependeria da adoção de novas regras de conduta e a divulgação de informações e pesquisas para a modernização das empresas. Além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o economista da UFRJ afirmou que seria "fundamental" o apoio, neste caso, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa estatal de apoio de projetos e programas de desenvolvimento econômico.
O economista evitou citar regras gerais que poderiam ser adotadas. Uma boa medida tomada pelo Banco Central, citada como exemplo, é a divulgação das taxas de juros que os bancos têm para captar dinheiro e adotam para emprestar recursos na Internet. Segundo Barros de Castro, a informação pode contribuir para a queda dos juros ao consumidor.
"Informação é o combustível básico", afirmou. "Isso é o que o Brasil sempre fez na área agrícola, com sucesso muito maior". O economista da UFRJ citou o caso da Embraer como empresa cuja estratégia deve ser seguida. "A Embraer está sempre pensando a longo prazo, em vez de baratear o Brasília, partiu para produtos novos", citou.
Na opinião do economista, o setor produtivo brasileiro ainda adota a política "de trincheiras" que usou para resistir aos juros altos e ao câmbio rígido e sobrevalorizado que vigoraram entre 1994 e 1997. No raciocínio de Barros de Castro, empresas que conseguiram sobreviver a esta situação têm "potencial enorme" para desenvolver-se.
Multinacionais - Barros de Castro também defendeu a mudança de estratégia das multinacionais brasileiras, que, em vez de se preocuparem com o Mercosul, deveriam usar o Brasil como base exportadora para outros países de renda mais baixa. "Um grande país como o Brasil tem condições de mudar esta estratégia", argumentou.
O professor da UFRJ afirmou que os resultados positivos com a desvalorização aparecerão cedo ou tarde, mas o Brasil foi prejudicado pela duplicação do preço do dólar e a queda em média de 25% dos preços dos produtos primários que exporta. Outro obstáculo citado é a maior dificuldade de conquista de novos clientes no sistema de produção atual. "Não se muda de fornecedor de um dia para outro", afirmou.

mockup