Economista da Unicamp aposta da livre flutuação do câmbio
São Paulo, 05 (AE) - O economista Luciano Coutinho, professor da Unicamp, acredita que o regime de flutuação cambial é a melhor opção para o País desde que seja discricionário. A livre flutuação seria uma escolha insustentável para a economia brasileira a longo prazo. Segundo ele, se bem administrada, a política de livre flutuação permitiria a estabilização do câmbio em um nível aceitável.
Apesar do risco e do custo político, essa opção poderia trazer a recuperação da credibilidade do governo e não poria em risco as reservas internacionais do País. Coutinho pondera, no entanto, que seria necessária uma reversão das expectativas atuais sobre a taxa de câmbio para que o governo conseguisse administrar a mudança.
A taxa de câmbio atual deveria cair rapidamente, minimizando o efeito da sobrevalorização da moeda americana. Se isso não acontecer o risco é de um fracasso na administração da política cambial. De acordo com o economista, as taxas de juros deveriam ser reduzidas rapidamente para evitar o efeito recessivo na economia. "Há um limite muito claro da política de juros como variável de defesa da política de câmbio", afirmou.
Da mesma forma, ele espera que o ajuste fiscal proposto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) seja aplicado de forma paulatina. Ao acenar com uma revisão da meta de superávit primário de 2,6% do PIB para um patamar entre 3% e 3,5% do PIB, Coutinho acha que talvez se esteja pedindo o impossível. Segundo ele, a meta para este ano deveria ficar em 3,3% do PIB, pulando para 3,5% no ano 2000.
A partir da utilização de um modelo macroeconômico, o professor da Unicamp simulou o impacto de uma desvalorização do real na economia como um todo. Se a desvalorização ficar em 35%, implicando na cotação do dólar em R$ 1,65%, Coutinho acredita que ocorreria um crescimento das exportações de 6,5% e uma queda nas importações de 12%. Nesse cenário a taxa de juros seria entre 13% e 14% no mês de setembro. "É uma travessia delicada entre os meses de abril e junho, que precisaria do suporte do Fundo Monetário Internacional (FMI) para que se conseguisse a estabilização da taxa de câmbio", afirmou, dizendo que o fundo é fundamental neste momento.
Caso a cotação chegasse a US$ 1,80, a inflação passaria do teto dos 10%, induzindo novos aumentos de preços. Haveria também uma queda do consumo de bens duráveis e não duráveis entre 8% e 9%. Neste cenário o Brasil não conseguiria apoio externo suficiente para driblar a crise cambial.
No pior cenário, caso o real chegasse a US$ 2,40, a taxa de juros ficaria próxima de 60% e a recessão seria de até 10% do PIB. Neste caso a queda de consumo dos bens duráveis e não duráveis ficaria entre 15% a 20%. E a pior perspectiva seria a de uma inflação de 50% com risco de propagação, o que poderia trazer de volta a indexação de preços e salários.





