Economista da UNCTAD critica Malan e defende desenvolvimento
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de maio de 1999
Por Gustavo Alves e Denise Neumann 
Rio, 18 (AE) - O economista Jan Kreger, da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD), alertou hoje que a estabilidade econômica não tem uma ligação direta com o desenvolvimento. A declaração foi uma crítica à exposição de ontem (17) do ministro da Fazenda, Pedro Malan, no início do XI Fórum Nacional de Altos Estudos, no Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES).
Kreger citou o exemplo da Europa para demonstrar sua tese. Segundo ele, os países daquele continente adotaram em geral políticas para reduzir suas taxas de inflação. Mas hoje, apesar de o custo de vida estar declinante, o crescimento na Comunidade Econômica Européia (CEE) ainda é inferior ao necessário, e as taxas de desemprego não estão melhorando.
A política econômica do governo brasileiro dividiu os economistas estrangeiros que participaram do fórum. Enquanto Kreger criticou Malan, o economista Barry Eichengreen, da Universidade de Berkeley (EUA), elogiou o sistema de metas de inflação que o Banco Central vai adotar a partir de junho. Para Eichengreen, o Fundo Monetário Internacional (FMI) podia incentivar outros países a adotar a medida.
O economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) Paulo Nogueira Batista Júnior, chegou a irritar o secretário de Política Econômica, Edward Amadeo, ao criticar o governo. Batista afirmou que a recuperação do Brasil após a desvalorização foi "milagrosa" e uma prova de que "assim como Deus, a equipe econômica brasileira escreve certo por linhas tortas".
"Não acredito em milagres, mas em decisões tomadas com vigor e transparência", rechaçou Amadeo, ao lembrar que foi uma decisão extremamente difícil para o governo aumentar a taxa de juros logo após a flutuação do câmbio. A recuperação da economia
segundo o secretário, mostrou o o "acerto da equipe econômica e também que nem sempre é por milagres que as coisas acontecem".
Eichengreen notou que, para os Estados Unidos, desde a semana passada, já não há mais perigo de o Brasil provocar uma crise internacional. Se o governo norteamericano não tivesse essa análise, analisou o economista norteamericano, o secretário do Tesouro dos EUA, Robert Rubin, não teria anunciado sua renúncia.
Reforma - O economista norteamericano defendeu uma mudança nas formas que o sistema financeiro internacional dispõe para evitar crises. Segundo ele, o método adotado atualmente, de empréstimos a países em dificuldades por instituições internacionais, acaba por estimular investimentos de alto risco - pela percepção que passa de que, no fundo, o risco pode ser evitado.
Para o economista, devia ser permitido, em casos extremamente graves, que os países mudassesm os prazos de pagamento de suas dívidas.


