Economista chileno defende saída da Argentina do Mercosul Do correspondente Ariel Palacios
Buenos Aires, 30 (AE) - "A Argentina deveria pensar seriamente em abandonar o Mercosul." Essa bombástica declaração foi feita por um dos mais importantes economistas chilenos, Sebastián Edwards, durante seminário do Instituto de Altos Estudos Empresariais (IAE) sobre a crise no Mercosul. Edwards também sustentou que "o Brasil continuaria sendo o principal parceiro da Argentina mesmo assim".
No seminário, realizado na cidade de Pilar, na Grande Buenos Aires, o economista afirmou que "continuar casado com um sócio como o Brasil não faz muito sentido". Edwards disse que não vê "muitos inconvenientes em (a Argentina) sair de um dia para outro" do bloco comercial.
Segundo ele, "o Brasil continuará ali ao lado, sendo vizinho e principal parceiro comercial". Além disso, ele afirmou que os investimentos internacionais continuariam chegando à Argentina mesmo após uma hipotética retirada do Mercosul.
Edwards citou a retirada do Chile do Pacto Andino em 1977 como exemplo eficaz de uma saída de um bloco comercial. "Na época, os especialistas afirmaram que era um erro imenso, mas depois verificou-se que foi a base para o crescimento da economia chilena." Edwards também referiu-se explicitamente ao Brasil, quando disse que"esse país ainda não resolveu sua situação, apesar da euforia". Segundo ele, "ainda não foi feito o ajuste que o mercado estava esperando".
No mesmo encontro, o embaixador brasileiro na Argentina, Sebastião do Rego Barros, disse que o Brasil pretende formar um mercado comum com todos os países da América do Sul. O embaixador afirmou que antes de tudo é preciso chegar ao mercado comum dentro do Mercosul, o que ele prevê para o ano 2007. Simultaneamente, Rego Barros sustentou que deveria ser planejada a criação de uma moeda única. "Antes, pensava que a moeda única teria de ser para o ano 2020, mas agora calculo que será antes"
disse Rego Barros.
O ex-ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, também esteve no seminário e disse considerar inevitável que a Argentina e o Brasil acabem tendo uma moeda única. Cavallo sustentou que os dois países precisam conseguir um rápido aumento na produtividade: "Isso não é uma utopia; podemos atingir esse objetivo se nos organizarmos para incorporar estabilidade e vigoroso crescimento; temos de convencer os empresários de que a melhor forma de crescer é melhorando a produtividade, e não fazendo uma desvalorização".





