Brasília - O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, anunciou ontem a troca do geógrafo Marcelo Resende, 34 anos, pelo economista Rolf Hackbart, 45 anos, no posto de presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A demissão de Resende, desgastado após 171 invasões de terra nos oito meses deste ano, foi justificada como parte de um ajuste técnico, mas o próprio Rossetto afirmou que, com a escolha de Hackbart, seu amigo, buscará ''afinar'' o discurso entre o ministério e o instituto.
''Fazem parte de um processo de gestão pública os ajustes, as sintonias mais claras, o padrão mais afinado. É exatamente isso que nós estamos buscando'', disse o ministro do Desenvolvimento Agrário. O governo federal espera também abrir um novo canal de diálogo com empresários rurais e movimentos de trabalhadores sem terra.
Ligado ao PT gaúcho, Hackbart trabalhou, durante o governo de Olívio Dutra (1999-2002), no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), controlado por Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde travou contato com empresários e trabalhadores rurais. Atualmente, ele, que deverá assumir o cargo na próxima semana, trabalha na liderança do governo no Senado.
Ao reiterar compromisso com a reforma agrária, único antídoto, segundo ele, contra a violência no campo, o novo presidente do Incra adotou um discurso sobre economia e produtividade. Na tentativa de cumprir o compromisso assumido pelo governo de assentar 60 mil famílias neste ano, Hackbart prometeu intensificar as negociações.
Ao anunciar a substituição, Rossetto negou atritos com Resende. A reportagem procurou Resende ontem, mas foi informada por seus assessores de que ele só comentaria a demissão hoje. Resende foi indicado para o cargo pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), da Igreja Católica, e possui estreitos vínculos com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

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