ECONOMIA Política ainda deve ditar rumo da economia
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domingo, 06 de outubro de 2002
Das agências 
Brasília O cenário político deverá ditar o ritmo dos negócios nos próximos dias, mas a divulgação de alguns índices nacionais e estrangeiros também podem influenciar o humor do mercado financeiro esta semana. Na sexta-feira, o sentimento de que a eleição poderia ser definida no segundo turno entre o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e o tucano José Serra (PSDB), o preferido dos investidores, provocou certo alívio no mercado, com a bolsa subindo 1,31% e o dólar fechando em queda de 2,16%, cotado a R$ 3,62.
Paralelamente ao cenário político, o mercado também vai acompanhar atentamente a divulgação dos índices sobre o nível de atividade nacional. Amanhã será anunciado o desempenho da produção industrial no mês de agosto, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Outros indicadores importantes, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), também medidos pelo IBGE, de setembro estão previstos para serem divulgados na quarta-feira. A previsão de alguns especialistas é que a inflação registrada em setembro fique em 0,6% por causa do repasse da depreciação do real para os preços ao consumidor, o que também tende a influenciar os próximos meses.
O mercado financeiro brasileiro ainda deverá acompanhar as notícias do cenário externo, que poderão causar oscilações nas bolsas americanas e estrangeiras, respingando no mercado nacional. Está prevista para sexta-feira a divulgação do índice de confiança do consumidor americano referente a outubro, além de indicadores de vendas no varejo e índice de preço ao produtor referente ao mês de setembro. Antes, porém, outras notícias vindas dos EUA poderão trazer maior nervosismo para os investidores. Há expectativa de que o presidente americano faça um pronunciamento segunda à noite sobre uma possível confirmação de guerra contra o Iraque.
Há fatores técnicos que também podem pressionar o câmbio, como a proximidade do vencimento de US$ 3,6 bilhões de títulos e contratos atrelados ao dólar, no dia 17. Como o lote é expressivo, o Banco Central (BC) começou a tentar rolar parte dos papéis na sexta-feira. Mas como os investidores pediram taxas elevadas para comprar os títulos e contratos de swap cambiais, o BC recusou todas as propostas do mercado. Nesta semana, a instituição deverá dar continuidade à tentativa de renovar os papéis.
Vencimentos do setor privado no exterior, que somam US$ 2,637 bilhões neste mês, também podem pressionar o câmbio. Nos últimos vencimentos de títulos cambiais, o dólar subiu com força nos dias que antecederam a data, pois interessa aos detentores dos papéis atrelados ao câmbio, uma cotação mais alta. Além disso, quando não renova os títulos, o BC retira um lote de instrumentos indexados cambiais do mercado, levando alguns investidores que querem continuar protegidos contra as oscilações da moeda a buscar dólares em espécie.


