Economia japonesa registra forte retração
Tóquio, 06 (AE-AP) - A economia do Japão registrou uma forte retração entre julho e setembro, o segundo trimestre deste exercício fiscal que começou em 1º de abril, mas os economistas ainda estão confiantes na recuperação do país este ano. De acordo com os dados da Agência de Planejamento Econômico, o Produto Interno Bruto (PIB) japonês recuou 1% entre julho e setembro, depois de dois meses consecutivos de crescimento. Nos três meses anteriores o nível de atividade havia crescido 0,1%, após uma alta de 2% entre janeiro e março.
A queda é maior que a prevista pelos analistas, mas não foi suficiente para prejudicar o mercado de ações, onde o Índice Nikkei fechou com alta de 0,75%, nem para derrubar a cotação do iene, que oscilou muito, mas manteve-se no mesmo nível da sexta-feira. "Os resultados do segundo trimestre parecem à primeira vista, mas a situação geral da economia é estável", afirmou Taichi Sakaiya, chefe da Agência de Planejamento Econômico.
Economistas atribuíram a retração a motivos de ordem técnica, como a revisão do PIB acumulado no trimestre anterior e explicaram que a queda deveu-se ao fato de que os programas oficiais de incentivo à recuperação levam tempo para produzir resultados. "Sem esses ajustes, o crescimento econômico teria ficado estável", afirmou Jesper Koll, economista-chefe da Merrill Lynch do Japão.
"Se analisarmos os detalhes poderemos perceber que os números são positivos", como é o caso dos gastos dos consumidores, que caíram apenas 0,3%. "Em uma situação mais grave o recuo nesse item teria sido muito maior."
O governo japonês anunciou hoje que vai mudar a estratégia de atuação no que se refere à dívida externa de longo prazo do país. O objetivo da mudança é evitar um efeito bola-de-neve, decorrente da expansão do nível de endividamento.
A idéia é alongar o perfil das dívidas na medida em que os títulos forem vencendo. Para isso, o governo admite que deverá elevar os juros pagos nos títulos vencimento mais longo. Atualmente, observa Naka Matsuzawa, estrategista-chefe de investimentos da Nomura Securities, boa parte da dívida japonesa está concentrada no que na ásia se considera o curto prazo (até cinco anos), com juros pagos todos os anos e vencimentos pesados previstos para Março do ano 2000. Nos demais países ricos a maior parte da dívida mobiliária tem prazo longo.





