Economia do Japão dá sinais de recuperação
Tóquio, 31 (AE-AP) - A economia do Japão chegou ao fundo do poço e começar a dar sinais de que a recuperação virá nos próximos meses, embora isso não se reflita na retomada do nível de emprego. As perspectivas da produção industrial nesse segundo semestre são positivas, mas o índice de desemprego continua superando as expectativas e atingindo novos recordes, em um processo que os economistas definem como "recuperação sem emprego".
A mais provável causa desse processo é o fato de que os ativos japoneses estão baratos, para os padrões do mercado internacional, o que aumenta a procura por parte dos investidores que buscam segurança e provoca uma valorização do iene. "Essa alta da divisa japonesa em relação ao dólar, porém, tem um impacto doloroso sobre as tentativas do Japão de ampliar suas exportações, o que faz com que a criação de empregos seja muito mais lenta", explica Brian Lippey, diretor-gerente do Tokai Asia.
Hoje, o Ministério de Comércio Internacional e Indústria informou que o nível de produção caiu 0,6% em julho, em relação ao mês anterior. O resultado, porém, correspondeu às expectativas e os economistas do governo já projetam um crescimento de 4,7% na produção de manufaturados este mês, nada menos que um ponto porcentual a mais que a estimativa original.
O índice de desemprego, contudo, permaneceu em 4,9% em julho, conforme outro documento oficial. Entre os homens a taxa é ainda maior: 5,1%. Mas os cortes nos empregos de meio período fizeram com que o desemprego entre as mulheres japonesas crescesse 0,2% em relação a junho, para 4,6%.
A divulgação dos relatórios fez com que as 225 principais ações, que compõem o Índice Nikkei da Bolsa de Tóquio, perdessem 2,69% hoje.
No mercado de câmbio, a divisa japonesa valorizou-se ainda mais hoje, com o dólar norte-americano sendo negociado a 109,59 ienes em Nova York, depois de abrir a 110,95 em Tóquio. O assunto foi discutido hoje e ontem em uma reunião de vice-ministros das Finanças dos países que integram o Grupo dos Sete (G-7), mas o subsecretário japonês, Takatoshi Ito, negou que a possibilidade de intervenção conjunta no mercado de câmbio
para conter a alta do iene, tenha sido discutida.





