Economia do Brasil é aprovada internacionalmente, diz Fraga
por João Caminoto, especial para a Agência Estado
Davos, Suíça, 31 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse ontem em Davos, na Suiça, que a sua participação no Fórum Econômico Mundial foi "excelente". Fraga
que já está no Brasil, disse que a comunidade financeira internacional está satisfeita com a recuperação da economia brasileira. "Se houvesse uma escala de preocupações de um a dez, há um ano o Brasil estava em dez, no meio do ano passado em sete e agora baixou para cinco", disse Fraga. "O Brasil está muito menos na primeira página do pessoal, o que é positivo."
Fraga disse que, "como a crise econômica no Brasil foi totalmente superada", as dúvidas das pessoas com que conversou em Davos em relação ao País foram muito mais variadas. "Uns falaram sobre a área monetária, outros querem saber sobre a continuidade do nosso trabalho na área estrutural, na área fiscal, há também muitas perguntas sobre o sistema financeiro e o Mercosul."
No sábado a noite, o presidente do BC participou de um jantar de quinze pessoas no qual Lawrence Summers, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, estava presente. "Falamos sobre alguns temas gerais, como a questão fiscal", disse Fraga.
Fraga disse que o discurso do presidente Bill Clinton, no sábado, conclamando uma nova rodada de negociações no âmbito da OMC, com a inclusão de cláusulas trabalhistas e ambientais, repercutiu muito entre os participantes. "A posição do Brasil é a mesma. Precisamos trabalhar pela realização de uma nova rodada de negociações após o fracasso de Seattle. Vou fazer um relatório verbal do que vi por aqui lá em Brasília."
Fraga disse também que saiu do encontro convencido de que o modelo competitivo do Brasil na área de Internet e telecomunicações é muito bom. Ele admitiu, no entanto, que os problemas de infra-estrutura no setor ainda preocupam os empresários estrangeiros. "Parte do problema poderá ser resolvido pela iniciativa privada e nós do governo teremos que dar um empurrão nas áreas mais carentes. Mas eu não sou um especialista nessa área, que está em muito boas mãos no governo."
Juros- Fraga reafirmou que o Brasil não deverá ser afetado por um eventual aumento da taxa de juros nos Estados Unidos. "Os mercado futuros estão prevendo dois ou três aumentos nos juros nos Estados Unidos - mas atenção, essa não é a minha previsão, mas sim dos mercados, eu não faço previsões. Ninguém gosta de aumento de juros, naturalmente, mas se eles ocorrerem há algumas atenuantes nesse caso. Eles serão consequência de uma economia forte, que significa um melhor mercado para as nossas exportações, melhores preços para nossos produtos. E nós não temos nenhum endividamento de curto prazo, que é tipicamente o endividamento mais afetado por esses aumentos nas taxas de juros de curto prazo nas economias americana ou européia."
Fraga negou que o fato de ter sido elogiado por vários pesos-pesados da economia mundial, como o megainvestidor George Soros ou o vice diretor-gerente do FMI, Stanley Fischer, possa causar ciumeira dentro do governo. "Isso aconteceu porque sou eu que estou aqui. Se fosse outro integrante do governo, seria a mesma coisa. Não tenho a menor dúvida de que o trabalho de equipe é reconhecido como trabalho de equipe. Eu não tomo esses elogios como coisa pessoal. Se o ministro Malan estivesse por aqui teria sido a mesma coisa, ou qualquer outro integrante do governo."
Sobre a sua boa imagem no exterior, Fraga disse que "é melhor ser bem visto do que não ser, mas a gente tem de manter uma certa humildade para reconhecer que as coisas estão indo bem porque o governo, como um todo, está trabalhando com competência."
O trigésimo encontro anual do Fórum Econômico Mundial continua até a próxima terça-feira. Além de Fraga, o presidente do BNDES, Andrea Calabi, também já retornou ao Brasil.





