São Paulo, 15 (AE) - As apostas de todos aqueles que acreditam mais piamente que uma nova era chegou - a da economia digital - não estão sendo todas numa só barbada. Entre os maiores ícones desse novo mundo há os que colocam tudo na virada do chamado business-to-business como o grande motor de receitas da Internet. Há os que afirmam que têm a melhor carta na mão: a confiança do consumidor, como a America Online (AOL), o maior provedor de Internet do mundo.
As empresas que lideram os mercado de software, hardware e serviços nos Estados Unidos esperam a partida decisiva para daqui a alguns anos, sem parar, sempre desenhando novas estratégias de negócio que possam cobrir depois uma aposta de hoje errada.
O presidente-executivo da Intel, a maior fabricante do mundo de microchips, Craig Barret, em recente visita ao Brasil, afirmou que as relações entre empresas (fornecedores e clientes) serão a força motriz da Internet, representando no futuro 80% de toda a receita da rede. "O business-to-business vai liderar a nova economia", afirmou. A Intel dá o exemplo, tendo transformado 100% das suas relações nos EUA em alguns outros países onde atua em conexões eletrônicas.
"O crescimento da Internet como um negócio está nas mãos da comunidade empresarial", afirmou Barret, conclamando novos clientes. Mas para a Intel, novos consumidores são também as pessoas que precisam dos computadores para acessar a Internet e fazer compras online.
Pesquisas recentes mostram, no entanto, que o crescimento do varejo eletrônico pode não ser tão exponencial quanto os precursores do comércio na rede prognosticavam até há alguns meses. Pesquisa da Net Effect Systems constatou que embora as visitas às lojas virtuais devam aumentar 71% no final do ano nos EUA, apenas 11% dos entrevistados disseram estar dispostos a fazer compras online.
Quase 90% deles vão pesquisar o produto na Internet, mas comprar em lojas de verdade, segundo publicou o jornal USA Today esta semana. A Net Effect Systems é uma empresa americana que ajuda varejistas a melhorar as relações com os consumidores na rede, e concluiu que nada vai bem nesse área, portanto, terá boas oportunidades. Mas outra pesquisa, da Jupiter Communications, confirma que 90% dos clientes online preferem o contato físico na hora de fazer a compra.
Dados do maior provedor de acesso à Internet do mundo atestam que, até agora, apenas 20% da receita da AOL nos EUA (na Europa, entre 5% e 10%) é resultado direto do comércio eletrônico e publicidade, o equivalente a US$ 1 bilhão. Não é pouco, mas cobrança de taxas mensais de acesso vem sustentando o negócio com 80% da receita ou US$ 4 bilhões.
Dinheiro do consumidor - E essa receita de assinaturas vem crescendo a um ritmo de um novo assinante a cada 3,5 segundos, embora a taxa de desistência nos EUA seja assustadora - 40%. Isso quer dizer que da base de 15 milhões de clientes, seis milhões deixam o serviço depois de 90 dias, o que resulta numa tremenda rotatividade, já que o crescimento da AOL é constante. Há cinco anos, a empresa tinha apenas um milhão de assinantes.
"Nosso negócio é o consumidor, embora possamos até gastar alguns esforços no business-to-business", afirmou o presidente da AOL International, Jack Davies, referindo-se à CompuServe, subsidiária voltada para o mercado corporativo. Os executivos a AOL não fazem projeções sobre a participação do consumidor e do cliente corporativo na receita da Internet. Admitem apenas que a relação entre o faturamento proveniente de assinaturas e o oriundo do comércio eletrônico possa mudar se o acesso ficar mais barato.
Reconhecem que foram surpreendidos pela expansão do acesso gratuito na Grã-Bretanha, onde teve início essa tendência
mas observam que é limitada aos jovens com bom conhecimento de tecnologia e pouco dinheiro no bolso porque o serviço não é o mais fácil de usar.
Analistas de investimentos, como David Tice, do Prudent Bear Fund, citado pela revista "Money" deste mês, acreditam que os preços de assinaturas vão cair e prejudicar a lógica financeira da AOL. Com uma carta na manga, o presidente operacional da AOL, Bob Pittman, criador da MTV, prognosticou que, em dois anos, terá receita publicitária maior que cada uma das três principais emissoras de TV dos EUA (CBS, ABC e CBN). Segundo Pittman, uma pesquisa recente mostra que os publicitários querem ter o melhor contato com a AOL em primeiro lugar.

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