Economia crescerá 3,5% em 2000, prevê relatório
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quarta-feira, 29 de dezembro de 1999
por Gustavo Freire 
Brasília, 29 (AE) - O relatório de inflação divulgado hoje pelo Banco Central traz uma projeção de crescimento para economia de 3,5% no ano que vem. Essa projeção é feita levando em conta a manutenção das taxas de juros em 19% ao ano. No relatório divulgado em setembro, a projeção de crescimento para o ano que vem era de 3,2% ao ano.
Câmbio - O relatório de inflação diz que o cenário externo apresenta-se favorável para a evolução da taxa de câmbio. "Espera-se melhoria no balanço comercial e manutenção ou mesmo pequena elevação no fluxo de capitais para o Brasil. Em relação ao balanço comercial, o maior risco percebido é o aumento do preço internacional do petróleo, já mencionado no último relatório", diz o texto. Ainda de acordo com o relatório, o preço do barril de petróleo poderá atingir US$ 27,00 no primeiro trimestre do próximo ano e depois baixar para US$ 20 a US$ 22 com o fim do inverno nas economias do Hemisfério Norte.
Juros dos Fed Funds - O relatório de inflação diz que com base nos mercados futuros a taxa dos Fed Funds vai subir gradualmente dos atuais 5,50% ao ano para 6,25% ao ano no terceiro trimestre de 2000. De acordo com o relatório, as projeções dos mercados futuros indicam a possibilidade de realização de incrementos trimestrais de 0,25 ponto porcentual.
Risco Brasil - O relatório de inflação diz que deverá ocorrer, no próximo ano, uma redução moderada do risco Brasil. Esta expectativa é baseada na previsão de uma redução do déficit em transações correntes no próximo ano devido à melhora da balança comercial e a oportunidade de obtenção de superávits primários, fazendo com que o Brasil consiga cumprir as metas fiscais acertadas com o Fundo Monetário Internacional.
O relatório também diz que o aumento da liquidez no mercado internacional contribuirá para que o risco Brasil seja reduzido no ano que vem. Esse aumento da liquidez, segundo o relatório, será provocado pela superação do bug do milênio, pelo crescimento da economia mundial e pela melhoria da percepção de risco dos países emergentes.
Metas em risco - O relatório de inflação diz que a trajetória esperada para os preços implica em riscos significativos para o cumprimento das metas indicativas trimestrais de junho a setembro do próximo ano. "Isso deve-se a um efeito estatístico e à magnitude dos choques de preços administrados", diz o relatório. Ainda segundo o relatório, essa possibilidade eleva as chances de haver uma consulta informal ao FMI no segundo e terceiro trimestres de 2000, já que foi acertado com o fundo metas trimestrais de inflação. "Essas chances chegam a quase 50%, refletindo o fato de que a projeção central (de inflação) está muito próxima de um ponto percentual acima do valor da meta trimestral desses dois períodos.
A probabilidade de ultrapassar o teto superior da banda larga do terceiro trimestre é cerca de 34%", diz o relatório.
Tarifas - O relatório de inflação diz que no terceiro trimestre de 2000 a concentração de aumentos de tarifas de serviços públicos provocará a alta da inflação. Segundo o estudo
isso ocorrerá em menor intensidade do que neste ano. Com isso, o Banco Central espera uma redução da variação da inflação em 12 meses. "Mas talvez não o suficiente para evitar que o limite superior da banda estreita seja atingida", diz o relatório. "No entanto, a projeção para o final do ano 2000 situa-se pouco abaixo de 6% (5,8%), posto que a elevada inflação do quarto trimestre de 1999 deverá dar lugar a uma inflação mais baixa do período correspondente de 2000".
Preços agrícolas - Os preços agrícolas deverão ter efeito neutro na inflação ao longo do próximo ano, segundo o relatório divulgado pelo BC. "A safra do ano 2000 deverá ser semelhante à de 1999. Em contrapartida, os preços das mercadorias deverá subir moderadamente no mercado internacional no próximo ano como decorrência do maior crescimento da economia mundial. Esse fator tenderia a gerar pressões inflacionárias, mas há que se considerar que os atuais índices de preços já incorporam o aumento de preços de alguns produtos, como o café e a soja".
Segundo o relatório, o aumento de preços das mercadorias terá um efeito favorável sobre a balança comercial, o que provoca impacto positivo sobre o mercado de câmbio.
Intervalos de tolerância - O relatório de inflação divulgado hoje pelo Banco Central diz que os índices de preços plenos nem sempre são uma descrição adequada "do processo subjacente de formação dos preços na economia". "Outros países que adotam o regime de metas para inflação preferem uma medida de inflação depurada de itens tipicamente sazonais ou muito voláteis, com intervalo de tolerância menor". O relatório ainda diz que, pelo fato do Brasil trabalhar com o índice pleno, é que o governo utiliza intervalos de tolerância relativamente grandes para suas projeções de inflação.


