Economia cresce e pobreza aumenta na América Latina - Miami Herald.
Miami, 17 (AE-ANSA) - Apesar do crescimento econômico, a América Latina terminará o século XX mais pobre que na década anterior, fruto da falta de participação popular nos lucros do mercado financeiro.
A opinião é do jornal The Miami Herald, em extensa análise sobre a situação da região na edição de hoje. Para o jornal, os trabalhadores latino-americanos vivem em condições de "pobreza moderada" e não foram convidados "para a festa dos lucros dos investidores".
A reportagem lembra que dez países da América Latina se encontram tutelados pelo FMI "que estabelece a disciplina das economias de mercado e não leva em conta as realidades políticas enfrentadas pelos governantes".
O jornal avalia que a região tem "bolsões de modernidade rodeados por extensas zonas de pobreza". Nesse sentido, lembra que, segundo o BID, existem 150 milhões de latino-americanos pobres. Para as Nações Unidas esse número chega a 200 milhões.
O The Miami Herald cita o Brasil, oitava economia do mundo, que começa a recuperar a confiança dos investidores sem que isso melhore a qualidade de vida da população. A renda per capita de US$ 3,6 mil dos brasileiros antes da crise caiu 6,4% e sua recuperação será lenta, segundo analistas citados pelo jornal. O México, a única nação latino-americana que tem os privilégios de sócio comercial com o Estados Unidos, tem renda per capita de US$ 4,2 mil e 26 milhões de pobres.
O jornal também citou recente pesquisa dando conta que 61% dos adultos da América Latina acreditam que seus pais tiveram uma vida melhor que a deles e 50% confiam que seus filhos terão um futuro melhor que eles. "A região precisa entrar em uma etapa onde as agendas social e econômica sejam apenas uma", diz o analista David Rothkopf.





