Londres, 30 (AE-AP) - A economia britânica cresceu a um ritmo bem mais acelerado no segundo trimestre do ano, dando claros sinais de que a rápida expansão poderá levar o Banco (central) da Inglaterra a elevar os juros antes do fim do ano para conter as pressões inflacionárias. O Produto Interno Bruto (PIB) inglês cresceu 0,5% entre abril e junho, depois de uma alta de apenas 0 1% no primeiro trimestre do ano, porcentual muito superior aos 0 4% previstos. A alta ocorreu em consequência do aumento das vendas de bens que vão do maquinário à mobília.
Os dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas sugerem que o Banco da Inglaterra poderá desistir de reduzir os juros este ano, depois de sete cortes consecutivos no custo do dinheiro em dez meses. "A perspectiva é de uma economia robusta", disse um economista do Morgan Stanley Dean Witter.
Após a publicação dos números oficiais, a libra esterlina subiu em relação ao dólar, atingindo a maior cotação em dois meses: US$ 1,6221 por unidade, ante US$ 1,6213 pouco antes do anúncio. O rendimento dos bônus do Tesouro britânico com prazo de dez anos caiu 3 pontos-base, para 5,30%, em relação à véspera.
O relatório a respeito do crescimento indica que a redução dos juros para 5% ao ano, nível mais baixo em 22 anos, dissipou o temor de uma recessão. Os consumidores voltaram a gastar e a confiança na manutenção do nível de emprego ressurgiu. O documento aponta ainda um forte ganho na rentabilidade das empresas britânicas.
A grande preocupação, porém, é com a possibilidade de que o rápido crescimento da economia britânica desencadeie uma espiral inflacionária na terceira maior economia européia. O desemprego está em apenas 4,5%, nível mais baixo em 19 anos, o que sugere que as empresas podem estar no limite de sua capacidade e ter dificuldade para atender ao aumento da demanda sem elevar salários.
Mesmo assim, a economia da Grã-Bretanha apresentou o menor crescimento entre os países europeus este ano e os analistas acreditam que a expansão deva ficar em torno de 0,9% este ano, ante uma média de 2% nas 11 nações que integram a Eurozona.

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