As principais associações ecologistas mundiais, preocupadas pelo lento progresso das negociações da conferência sobre o clima, exigiram ontem aos países ricos que reduzam suas emissões internas de gases poluentes e não tentem escapar delas mediante os chamados ‘‘mecanismos de flexibilidade’’.
Este é o primeiro passo para que os ministros, que hoje se reunirão na 4ª Conferência sobre Mudanças Climáticas, em Buenos Aires, abram caminho para chegar a um acordo, segundo os representantes da Rede de Ação pelo Clima (RAC, que reúne 281 grupos de todo o mundo).
Após uma semana de nenhum progresso, a pressão para desbloquear as negociações ‘‘está agora nos ministros’’, afirmou a porta-voz da organização ambientalista Greenpeace, Kirsty Hamilton.
O medo dos ecologistas, explicou Hamilton, é a perda do propósito original do Protocolo de Kioto de 1997, contra o efeito estufa pelo uso indevido dos mecanismos de flexibilidade para recuar em reduções certas e tangíveis em cada país.
O Greenpeace, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e os Amigos da Terra exigiram políticas estatais para reduzir a contaminação por dióxido de carbono e outros gases causadores de aquecimento da atmosfera.
A cobiça dos países pelas possibilidades econômicas oferecidas por estas fórmulas suscita a dúvida na RAC sobre se os governos apóiam uma ‘‘redução real’’ das emissões ou apenas estão ‘‘loucos pelo dinheiro’’.
‘‘Parece que em Buenos Aires está começando um sutil movimento - a corrida pelo dinheiro - no qual existe um amplo apoio corporativo para conseguir ‘créditos’ (de desconto) para a redução das emissões através de mecanismos de flexibilidade’’, considerou Hamilton.
‘‘Sem regras, sem prova de claras políticas nacionais para começar a reverter a tendência ao investimento em combustíveis fósseis e sem um regime de cumprimento (...), os ministros não serão capazes de persuadir o público de que estão levando Kioto a sério’’, resumiu Hamilton.
Os ecologistas esclareceram que não defendem a supressão da compra-venda de quotas de missões entre países com excedentes e com necessidades, senão para evitar ‘‘os excessos que poderão estrangular o Protocolo de Kioto’’, garantiu Stephan Singer, do WWF.
A União Européia (firme defensora em Kioto de que apenas os países desenvolvidos reduzam suas emissões) recebeu duras críticas dos ecologistas por sua aproximação aos Estados Unidos (partidários de um compromisso também dos mais pobres) com o passar dos dias.
‘‘Uma relação feliz com os Estados Unidos parece ser preferível à luta para prevenir a perigosa mudança climática’’, disse Singer, do WWF. Os europeus ‘‘simplesmente não cumpriram suas promessas’’ de Kioto, que obrigam a redução de gases apenas nos países desenvolvidos (5,2% em 2012 em relação ao nível de 1990), o que os europeus defenderam na época com entusiasmo.
‘‘Com um quinto da população mundial’’, declarou Patrick Green, os Amigos da Terra, os países ricos são responsáveis por ‘‘dois terços das emissões anuais de gases da mudança climática’’. ‘‘Eles são responsáveis pela mudança climática e primeiro devem ser tomadas medidas’’, continuou Green. ‘‘Os países em vias de desenvolvimento querem justiça climática e corresponde aos ministros europeus (...) garantir que terão’’, concluiu.

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