O Mercosul conta a partir deste ano com uma nova rota de transporte. A inauguração da eclusa de Jupiá, no Rio Tietê, vai permitir a navegação fluvial nos rios Paraná e Tiête, tornando navegáveis 2,4 mil quilômetros de rios nos estados do Paraná, Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás.
A eclusa também abre caminho para o intercâmbio entre os países do Mercosul. O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, anunciou que o governo já estuda um projeto para construir um conjunto de eclusas na Hidrelétrica de Itaipu, para transformar a hidrovia Paraná-Tiête numa rota comercial do Mercosul.
Hoje é possível a navegação desde a Hidrelétrica de Itaipu até o município de Conchas, a 200 quilômetros da capital paulista. Ao norte do Rio Paraná, a hidrovia chega a cidade de São Simão, no Sul de Goiás, divisa com Minas Gerais, facilitando o escoamento da produção de grãos das principais regiões produtoras brasileiras.
Para a região da tríplice fronteira, a Hidrovia Paraná-Tietê representa uma nova perspectiva econômica, já que vários municípios às margens da hidrovia estão recebendo investimentos de empresas privadas.
Segundo o presidente da Agência de Desenvolvimento Tietê-Paraná (ADTP), Wilson Quintella, que coordena os investimentos da iniciativa privada no projeto rodoviário, nos próximos seis anos os investimentos podem chegar a US$ 120 bilhões em diversos projetos ao longo da hidrovia.
‘‘Tudo isso vai favorecer muito a cidade, inclusive como centro hidroviário do Mercosul, porque já temos alfândega e todas as condições para operar os portos’’, afirma o prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó (PPB).
A inauguração da eclusa representa uma nova visão no setor de transporte brasileiro. Com o fim da inflação ficou muito mais rentável os transportes fluvial e ferroviário.
Na época de inflação alta o transporte rodoviário, embora até 30% mais caro, ganhava preferência por ser mais veloz, já que o capital investido na carga corroía quando ela demorava para chegar ao destino.
Atualmente algumas empresas já estão conseguindo reduzir em até 50% o valor do frete, ao trocar as rodovias pelas hidrovias. Um levantamento da Companhia de Navegação e Operação de Terminais Tiête (CNTT) mostra que o frete hidroviário já é vantajoso em relação aos outros sistemas. O custo por tonelada é de US$ 0,013 por quilômetro de hidrovia, ante os US$ 0,024 na ferrovia e US$ 0,30 na rodovia.

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