Eclipse muda rotina de moradores de Alto Paraíso
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segunda-feira, 09 de agosto de 1999
Por Sandra Sato 
Brasília, 10 (AE) - O comerciante Oterlino Ferreira dos Santos sempre morou em Alto Paraíso e pretende amanhã (11) manter a rotina de todos os dias. "Quando acordar, vou fazer o sinal da cruz e depois venho trabalhar". Ele não acredita em fim de mundo, nem tão pouco está interessado em meditar. "O mundo vai acabar para mim no dia em que eu morrer", comenta.
Dono do boteco mais antigo da cidade, onde vende apenas bebida e umas bananas e laranjas que produz na chácara, Oterlino diz que é feliz. Tem nove filhos, todos com saúde. Mas a transformação de Alto Paraíso em atração para os esotéricos o incomoda, revelou o comerciante durante conversa com a paulista Cacilda Furioli, que se animou com a pacata cidade depois de visitá-la há 20 dias.
"No momento que você vem descansar aqui, começa a cansar nós (os nativos)", diz, citando que a migração de pessoas para a pequena Alto Paraíso diminui o espaço e até traz um pouco do medo de violência dos grandes centros urbanos. "Eu aqui tenho medo dos marginais", revelou. Segundo ele, outro dia chegaram a roubar um carro de dia. "Brasília fica umas duas horas daqui", diz suspeitando que os infratores venham da capital. "Vou desistir de vir para cá", comentou Cacilda, surpresa com a história.
Ela conta que em São Paulo já não dá para conviver com determinadas pessoas e vive com medo de assaltos. Oterlino conta que sente saudades do tempo em que vinha a cavalo para o boteco e o deixava amarrado na porta. Com um marcapasso no coração, o comerciante sonha agora em mudar-se para um local mais isolado. "Aqui passa gente toda hora". E aproveita para oferecer à paulista a chácara que possui a 12 quilômetros da cidade. "Quero R$ 35 mil". O negócio não foi fechado.


