HONFLEUR, Normandia, 11 (AE) - Só uma minoria entre os 20 mil turistas concentrados na faixa de 100 quilômetros de obscuridade total do eclipse não se decepcionou com o espetáculo natural apresentado pelo sol e pela lua.
A maior parte, devido ao mau tempo, forte presença de espessas nuvens no céu, não pôde acompanhar a eclipse em condições ideais.
Entre Honfleur e Fecamp, na costa normanda, o dia amanheceu fortemente nublado e poucos imaginavam uma abertura entre 11 e 13 horas. Já após o inicio do fenômeno, no momento em que a sombra do eclipse atravessou o Canal da Mancha, deixando a Inglaterra e infiltrando-se no território francês, um milagre aconteceu, rapidamente atribuído pelos mais místicos a Santa Terezinha de Lisieux, cujo santuário encontra-se nessa cidade normanda da zona de obscuridade. Um pedaço de céu azul foi aberto, liberando o sol e a lua das nuvens e permitindo aos habitantes da região assistir ao eclipse nas melhores condições possíveis.
Mais de 300 astrofísicos e grande parte da imprensa internacional decidiram se concentrar em Thionville, cidade de 40 mil habitantes na Alsacia-Lorena, mas o resultado foi decepcionante. O mau tempo prevaleceu e o eclipse total não pôde ser observado convenientemente.
Em contrapartida, no sul da França, onde o fenômeno foi apenas parcial, o sol esteve presente durante os 17 minutos, tempo em que o eclipse atravessou a França à velocidade de 800 quilômetros por segundo.
Milhares de pessoas que pretendiam alcançar as praias normandas, buscando ver o efeito do espetáculo sobre o mar, não conseguiram completar o trajeto em razão dos grandes engarrafamentos nas auto-estradas e estradas vicinais da região.
Em Paris, o eclipse parcial pôde ser acompanhado em boas condições. Como a estação Mir não explodiu e as profecias catastróficas do estilista Paco Rabane não ocorreram, um grupo de parisienses decidiu abrir champanhe diante da loja do costureiro em Saint Germain de Prs.
Na Normandia, região tipicamente agrícola, muitos se fixaram no comportamento dos animais. Vacas, galinhas e carneiros mostravam-se desamparados diante do anoitecer repentino em pleno meio dia.
Curiosidade observada por um agricultor normando. No momento em que a luminosidade do dia reapareceu gradativamente , o galo voltou a cantar como no amanhecer. No pasto, algumas vacas começaram a se dirigir para o estábulo, como se fosse hora da ordenha. Isso ocorreu em Queteville, um dos 36 mil municípios da França profunda, que reúne apenas 79 habitantes, mas 350 vacas leiteiras, entre Honfleur e Deauville.
Muitos franceses não puderam observar o eclipse por falta de óculos especiais. Hoje, eles protestam pelo fato de não terem sido colocadas à venda um número suficiente para que pudessem observar esse casamento celeste. Esses franceses já estão responsabilizando o governo por eventuais problemas oculares de seus familiares que arriscaram olhar para o sol sendo coberto pela lua, arriscando-se a sequelas irreparáveis. Por isso já antecipam processos judiciais, exigindo reparação pecuniária.
A astrônoma Mona Bachi, que assistiu hoje a seu quarto eclipse total, definiu seu sentimento mais profundo como se sentisse , no momento do eclipse total, um grande "orgasmo cósmico". Hoje
ela afirmava ter sentido essa mesma sensação às 12h20 horas, no momento do eclipse total na Normandia e Picardia.
Já o astrofísico, Hubert Reves, definiu o evento como um dos espetáculos naturais mais bonitos do planeta, oferecendo uma certa magia, uma queda rápida da temperatura, 10 graus em apenas alguns segundos, mas também da luminosidade, como se o sol estivesse abandonando a terra. A sensação de angústia diante desse quadro desaparece com a rápida volta dos raios solares que garantem nossa existência.

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