Eclipse atrai turistas na Europa e provoca temor no Oriente Médio
Romênia, 11 (AE-AP) - Turistas e cientistas dirigiram-se à Europa Oriental para observar o último eclipse solar total do milênio. No Oriente Médio, os muçulmanos preferiram ficar trancados em casa ou buscar refúgio nas mesquitas. A passagem da sombra da Lua sobre a cidade romena de Ramnicu Valcea durou dois minutos e 23 segundos, local onde pode ser observado por mais tempo. Milhares de pessoas se aglomeraram nas ruas de Ramnicu Valcea - cidade de cerca de 100 mil habitantes - e no topo dos telhados para apreciar o espetáculo. Conforme a Lua ia cobrindo o sol, a temperatura, que até então era de 30 graus Celsius, caía acentuadamente. Além dos romenos, a cidade de Ramnicu Valcea recebeu turistas da Alemanha, Japão e Grã-Bretanha. "Estamos um pouco assustados", dizia Silvia Popa
uma contadora de 44 anos, lembrando uma supertição dos bálcãs relacionada com o desaparecimento do Sol. "Dizem que depois do eclipse haverá uma grande tempestade ou um cataclisma", completou. Contudo, nenhum dos dois fatos ocorreu. Na Turquia, barracas de alimentos e souvenirs invadiram a antiga vila de Harput (de 4 mil anos de idade), no sudeste do país, para abastecer as centenas de pessoas que ali se dirigiram para apreciar o eclipse. Os ambulantes vendiam de tudo, de móveis a tapetes. A vila, de apenas 150 habitantes e localizada num vale árido, foi o local eleito por muitos cientistas para observar o fenômeno. Os cerca de 1,1 mil pesquisadores estavam felizes com as boas condições de tempo, que permitiram uma visão perfeita do eclipse. Em Argel, na Argélia, a população invadiu as mesquitas para oferecer o "Salat El Kousouf", uma prece especial para o eclipse. Os empregadores permitiram as mulheres faltarem ao trabalho para tomar conta de seus filhos. A medida foi adotada devido à falta de óculos especiais, necessários para observar com segurança o fenômeno. A televisão pública ENTV havia alertado a população contra os perigos de olhar diretamente para o Sol durante o eclipse. No Egito, os muçulmanos trancaram-se em casa, enquanto outros lotaram as mesquistas, seguindo as ordens do clero, quando terremotos e uma inesperada chuva de granizo intensificaram a inquietação com relação ao eclipse. As autoridades egípcias declararam estado de emergência nos hospitais públicos e colocaram as brigadas de incêndio em alerta, aparentemente por causa dos temores de que lesões oculares, provocadas pela observação direta, sem protelção, do fenômeno, se espalhassem pelo país. Os governos da Síria e da Jordânia decretaram feriado nesta quarta-feira (11) e alertaram a população para que permacessem dentro de casa. As autoridades no Sudão e no Líbano cancelaram as aulas nas escolas. O alto clero no Egito e no Líbano emitiu um informe, proibindo o povo de olhar diretamente para o Sol, porque não era islâmico prejudicar-se a si mesmo. Orações especiais sobre o eclipse foram realizadas nas mesquitas da Argélia ao Irã, onde participaram milhões de muçulmanos. Reza a tradição muçulmana que o profeta Maomé, o fundador do islamismo que viveu há mais de 1,4 mil anos, rezou durante todo o tempo de duração de um eclipse. "Preferi rezar em casa ao invés de arriscar-me sob o Sol", disse Ahmad Fadhil, de 35 anos, em Bagdá, no Iraque. Na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, as ruas estavam desertas e lojas e escritórios governamentais fechados durante o eclipse. Muitos palestinos permaneceram em casa atendendo os repetidos alertas das autoridades de saúde para evitar olhar para o Sol a todo custo. Na maior parte do Oriente Médio, pode-se observar entre 60% e 82% do Sol sendo encoberto pela Lua. O eclipse total ocorreu apenas no Irã e Iraque.





