'É uma vida escondida em Deus, em prol do mundo'
Silêncio. Ao entrar no Mosteiro Nossa Senhora de Guadalupe, onde vivem as irmãs da congregação de Monte Carmelo de Londrina, a sensação é de que o divino está por toda parte: no artesanato, nas flores, na horta, nos pássaros, nos animais. É no carisma contemplativo, baseado em regras e calendário pré-determinado, que as carmelitas descalças intercedem pelo restante do mundo por meio da oração.
O despertar é às 5h15 e apenas 15 minutos depois acontece a primeira meditação. Às 6h30, a santa missa e a recitação dos salmos, que antecede a Oração de Tércia, outra recitação de salmos, prevista para às 7 horas. Depois do café da manhã, iniciam-se as tarefas confiadas a cada religiosa no interior do mosteiro, a partir das 8 horas. Às 11 horas, mais uma recitação de salmos antes do almoço, às 11h30, que é acompanhado de mais uma leitura espiritual.
Ao meio-dia, no encontro fraterno, as carmelitas partilham pensamentos, enquanto confeccionam os trabalhos manuais que ajudam na manutenção da casa. É o único momento em que o silêncio dá lugar à conversa. Às 13 horas, as irmãs têm uma hora de descanso até a próxima oração. No meio da tarde, mais trabalho até às 17h25, horário de meditação. Uma Oração de Vésperas antes do jantar, às 19 horas, mais um encontro fraterno, às 19h45, até a última oração comunitária do dia, às 21 horas, antes do silêncio noturno.
Rotina nada fácil de encarar se a decisão de seguir o chamado divino não for a vontade máxima de cada carmelita. ''Em primeiro lugar meditamos a palavra de Deus para guardá-la. Em segundo lugar, comunicamos a palavra por meio da interseção pela comunidade. É uma vida escondida em Deus, em prol do mundo'', explica a irmã Eliane Teresa do Amor Divino, que tornou-se carmelita aos 17 anos e já vive na congregação há 15.
Ela encara a clausura como um ofertório de disponibilidade e alegria. ''É uma renúncia por amor, afinal somos as sentinelas da oração. Enquanto outras irmãs estão inseridas na comunidade, nós intercedemos por elas por meio da prece e uma vez assumido o chamado, ele deve ser espontâneo.''(M.G.)





