Londrina - Para Maria Nilza da Silva, professora do Departamento de Ciências Sociais e ex-diretora do Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos (NEAA) da UEL por ocasião da implantação do sistema de cotas, é possível perceber alguns avanços com as mudanças, sobretudo no reconhecimento da desigualdade. "Havia uma descrença de que existia uma desigualdade racial no Brasil e de que o negro teria uma predestinação social, pois o racismo impacta negativamente na trajetória desse indivíduo. Em debates, mostrávamos números e pesquisas, mas não acreditavam. Quase dez anos da implantação das cotas, muitos já veem que é uma vaga disputada e não doada. Nesse sentido, caminhamos bastante", esclarece.
Um dos pontos mais importantes, de acordo com Maria Nilza, é de que a universidade não perdeu qualidade com a entrada desses alunos. "As médias são praticamente as mesmas. Em alguns casos, até maiores." Se o acompanhamento não se mostrou um problema, a permanência, sim. Conforme a professora, o aluno precisa de condições econômicas para continuar os estudos, pois, do contrário, continua na mesma situação de vulnerabilidade. "Os mecanismos de permanência, como as bolsas de estudo, precisam ser ampliadas para que todos possam ter a chance de manter-se na universidade. Mas, o número diminuiu ao longo dos anos."
Contudo, para ela, uma coisa é certa: "o negro está entrando mais na universidade e esta começa a caminhar à realidade brasileira, uma sociedade plural e heterogênea".(M.T.)

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