A psicóloga, doutora em educação e professora sênior da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mary Neide Figueiró, é contrária à prática do aborto, mas é favorável à descriminalização para que as mulheres possam ter a possibilidade de escolha. "É uma questão de saúde pública", defendeu.
Entre 2012 e 2015, Mary Neide fez uma pesquisa com dez mulheres que optaram pelo aborto entre os 15 e os 40 anos, por diferentes motivos. Em razão da criminalização, seis delas recorreram a medicamentos proibidos, que poderiam ter causado sérios problemas de saúde, três conseguiram recursos para fazer o procedimento em clínicas particulares e outra entrevistada optou pelo consumo de chás prejudiciais a gestantes.
Para a pesquisadora, o ideal é investir em educação sexual. A descriminalização, segundo ela, não banalizaria a prática no País, hoje subnotificada. "Ser criminalizado não impede em nada o aborto acontecer. Se nós tivéssemos equipes de profissionais multidisciplinares em hospitais e postos de saúde que pudessem acolher uma mulher indecisa, que está desesperada, pensando em abortar, e que a ajudasse a refletir nos prós e contras, eu acredito muito que, se houvesse esse diálogo, ela talvez enxergaria a situação de outra forma e poderia tomar uma decisão com mais segurança. Não estou dizendo que o profissional a convenceria do contrário, mas ela poderia pensar melhor sobre o assunto e ser amparada nesse momento", comentou.
Com medo, muitas preferiram não revelar a gravidez para a família ou os amigos. Das dez mulheres que participaram da pesquisa, sete disseram não ter se arrependido da escolha.(V.C.)

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