São Paulo - Por mais de 12 anos o padre Leo Pessini elegeu um hospital como sua paróquia. À beira dos leitos ou pelos corredores, compartilhou graças de cura, ministrou extremas-unções, prestou pronto-socorro às dores da alma. Nunca se sentiu tão perto do ser humano e tão longe da humanização. O problema não era a instituição em si. O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo é referência no País. Sua aflição vinha principalmente dos casos em que ele não via respeitado o direito do paciente de morrer em paz e com dignidade. Daí nasceu o livro ''Distanásia'', termo que significa prolongamento fútil da existência.
O padre, como bom camiliano, oferece caminhos para a boa morte; como um dos diretores da Associação Internacional de Bioética, explica a que vem essa ciência; e, como estudioso dos dilemas terminais, discorre por que o tom da celeuma Terri Schiavo não é nem branco, nem preto, mas cinza.
''Não sou contra a tecnologia, mas contra a 'tecnolatria', que coloca os aparelhos e a farmacologia num pedestal. A medicina tende hoje a medicalizar a vida o máximo possível e entender a morte como inimiga. Hoje as UTIs são modernas catedrais do sofrimento humano. Só deveria ir para a UTI quem tem esperança de cura e sa© úde'', afirma Pasini.
Como o trabalho no hospital, o padre diz que aprendeu a respeitar o nascimento e a morte como os momentos de maior vulnerabilidade do ser humano. E conta que usa a razão, a fé o coração para lidar com pacientes terminais. ''Quem pede para morrer está gritando por um sentido numa vida sem sentido. Não é um belo sermão ou uma pregação que vai ajudar, mas a presença solidária de estar junto, acolher a dor e respeitá-la. É preciso uma atitude de reverência e respeito, sem juízos de valor ou imposições para mudar o curso das coisas'', garante.

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