'É preciso reinventar o diálogo'
O sociólogo e professor do Laboratório de Tecnologia Educacional da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Paulo Negri, afirma ser favorável ao projeto de lei. ''Acredita-se que a agressão física só acontece quando todas as instâncias de diálogo foram esgotadas, quando não é verdade. É preciso reinventar o diálogo, com uma adequação dos limites dentro da pedagogia do amor'', propõe.
Para o professor, que tem especialização em Violência Doméstica pelo Laboratório de Estudos da Criança (Lacri), o projeto é polêmico, mas ele acredita que vem como um complemento ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e vai auxiliar no combate ao uso exacerbado da violência, tanto dentro de casa como nas instituições. ''A criança precisa de limite sim, mas quando isto é feito na base da surra, as chances desta criança se tornar um adulto agressor é imensamente maior, se não for cuidada. Pais e filhos devem ser parceiros, não oponentes.''
A iniciativa também é elogiada pelo hebiatra e vice-presidente da Associação Brasileira de Adolescência (Asbra), Renato Moriya. Ele lembra que o projeto contempla as punições consideradas 'leves', já encaradas em muitos países como aviltamento e como atitude que deseduca. ''Os pais acham que bater é um sinal de força, mas, pelo contrário, é uma demonstração de fraqueza'', complementa.
Moriya lembra que as crianças e os adolescentes têm a sua autonomia, que precisa ser respeitada. ''São pessoas que têm potencial para se individualizar, são seres em crescimento e desenvolvimento, e não podem crescer à imagem de outra pessoa.'' O hebiatra observa que muitas vezes a criança apanha sem saber por quê. ''Ela obedece no momento porque tem medo, mas aí logo vai voltar a se comportar da mesma maneira, e os pais têm que passar a bater cada mais vez forte. O risco de termos uma criança cínica, mentirosa, agressiva, covarde, sem auto-estima e desleal é muito grande.''(S.L.)





