Ney de SouzaAntonio
Carlos
Moro:
‘‘Falta um
conjunto
de ações
para fazer
com que
o turismo
na cidade
volte a ter
a atratividade
de épocas
anteriores’’‘É preciso profissionalizar o turismo’
Valmir Denardin
A profissionalização é a única saída para o setor turístico de Foz do Iguaçu melhorar sua lucratividade. A opinião é de Carlos Antonio Moro, coordenador do curso de turismo do câmpus local da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Implantado em 1985, o curso já formou 436 profissionais.
O curso de Foz é o único do Paraná classificado como três estrelas - numa tabela que vai de uma a cinco estrelas - no Guia do Estudante da Editora Abril, a principal publicação de avaliação do ensino superior no País. Integrante do Conselho Municipal de Turismo (Comtur) e professor das disciplinas de Hotelaria e Agências de Viagens e Transporte, Moro concedeu a seguinte entrevista à Folha:
Folha - Qual é a contribuição que o curso de Turismo pode dar a Foz do Iguaçu, que tem nesse setor sua principal atividade econômica?
Carlos Antonio Moro - Com uma formação acadêmica de quatro anos, o profissional está habilitado a trabalhar em quatro grandes áreas: hotelaria, agências de viagens, eventos e planejamento turístico. Essas quatro áreas são a base da nossa região. Hoje, com o projeto Costa Oeste, temos um novo campo de trabalho, com muito potencial. Há muita coisa que precisa ser feita e o curso de turismo será a base para isso.
Folha - O que falta para melhorar o turismo em Foz do Iguaçu?
Moro - Falta um conjunto de ações para fazer com que o turismo na cidade volte a ter a atratividade de épocas anteriores. A principal delas é que o turismo precisa se profissionalizar. Na época do auge da hotelaria em Foz, os empresários investiam até US$ 10 milhões para construir um hotel, mas não estavam dispostos a desembolsar US$ 20 mil ou US$ 50 mil para pagar uma consultoria com pessoal especializado. Investiam muito, mas esqueciam da especialização. Precisamos ter mão-de-obra qualificada. Estamos começando a fazer isso, através do curso, de palestras e de outras formas. Outra coisa é tratar o turismo com profissionalismo. É preciso buscar investimentos com promoções, investir na parte institucional, vendendo idéias como a Costa Oeste do mesmo modo que se vende a Serra Gaúcha e o Nordeste, como uma atração integrada.
Folha - Como Foz e a Costa Oeste poderão se integrar para compor um único destino turístico?
MoroA briga é trazer o cliente para cá. Depois, haverá uma briga interna entre os municípios da região na disputa desse cliente. O visitante poderá chegar em Foz, ir subindo para os diversos municípios da Costa Oeste e depois ir para o Pantanal. O que cada município terá que fazer é dar condições para que esse turista permaneça pelo menos um dia em cada local. Quem viaja para um lugar, quer conhecer toda uma região. Ampliando a Costa Oeste, podemos incluir as ruínas jesuíticas na Argentina e atrativos do Paraguai. Na Semana Acadêmica do curso, que realizaremos de 14 a 18 de setembro, vamos tratar de um tema que interessa muito a região: o ecoturismo como fator de desenvolvimento da Costa Oeste. Vamos procurar mostrar para os municípios que, unidos, teremos mais força para trazer investimentos para a região. Há dez anos não tínhamos muita concorrência. Hoje, temos Aruba, o Nordeste, que investem milhões de dólares em divulgação.
FolhaO que o setor precisa fazer para aumentar a permanência do turista, cuja média hoje não chega a dois dias?
MoroNão temos o mesmo atrativo de cidades com praias, por exemplo, onde o visitante vai uma vez e quer voltar sempre. Nosso desafio é trazer o turista para a cidade uma segunda vez e uma terceira vez. Para isso, precisamos de mais atrativos, com parques temáticos, eventos, ecoturismo e jogos aquáticos no Lago de Itaipu. Nesses dois últimos pontos, a Costa Oeste tem um potencial extraordinário, que é preciso saber explorar.
FolhaParece ser consenso que o profissional que atua no setor turístico em Foz é mal preparado. O senhor concorda com essa idéia?
MoroConcordo. Precisamos melhorar, até porque os nossos concorrentes estão melhorando. Se o turista não for bem atendido, ele pode ir para outro lugar e a má fama vai sendo divulgada. A qualificação precisa ser permanente.
FolhaDe que forma o curso de Turismo pode ajudar a melhorar essa situação?
MoroPreparamos pessoas para ir até o empresário e mostrar a ele como as coisas devem ser feitas. O profissional de turismo hoje sai da universidade preparado para auxiliar esses empresários a profissionalizar seus empreendimentos cada vez mais para enfrentar a concorrência. O turismo é a atividade econômica que mais cresce no mundo, com taxas entre 6% e 7% ao ano. No Brasil, tudo ainda está no começo. Enquanto a França, que é praticamente do tamanho do Paraná, recebe 68 milhões de pessoas por ano, o Brasil recebe minguados 3 milhões.
FolhaComo tem sido a parceria entre o curso e a Foztur (órgão municipal de fomento ao turismo)?
MoroA Foztur tem absorvido profissionais formados no curso. Além disso, muitos alunos nossos fazem estágio na Foztur. Isso é uma ponte entre a teoria e a prática.

PERFIL
Nome:
Carlos Antonio Moro
Idade: 36 anos
Estado civil:
casado; 2 filhos
Formação:
cursou Ciências Contábeis e Turismo na Unioeste; pós-graduado em Turismo por um convênio entre a Universidade de São Paulo (USP) e a Unioeste
Onde atua:
é coordenador do curso de Turismo da Unioeste desde agosto de 97; ficará no cargo até dezembro de 99

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