É preciso orientar as crianças desde pequenas
Londrina A Coordenadora do Núcleo de Estudos e Defesa dos Direitos da Infância e da Juventude (NEDDIJ), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Claudete Carvalho Canezin, aponta que o tabu de não conversar com a criança sobre sexualidade é um dos fatores que mais dão margem à ação dos pedófilos. "A criança tem que achar estranho, mas isso só vai acontecer se alguém orientá-la. A mãe tem que falar com a filha que ninguém pode levantar a blusa dela", exemplificou.
A advogada explica que, em muitos casos, as ameaças do abusador fazem com que os casos não sejam descobertos. "Não há um perfil padrão do abusador, mas na maioria dos casos que presenciamos aqui mostra um homem tímido, cordial, acima de qualquer suspeita. Para não serem denunciados, eles ameaçam as crianças." Segundo Claudete, as ameaçam não se concretizam, pois a violência é uma característica do estuprador, um criminoso diferente. "O abusador age com o terrorismo psicológico. Quando um caso é descoberto, outros surgem."
Levantamento realizado no primeiro semestre deste ano pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas 3), que oferece serviço de proteção e atendimento às famílias e crianças de Londrina, mostrou que dos 1.216 casos atendidos no período, 58% são referentes à violência sexual contra crianças e adolescentes. Do total de casos de violência sexual, 43% foram realizados pelos pais. Claudete lembra que, embora sejam minoria, os abusos na escola também merecem atenção. "Os professores têm sido uma ferramenta importante na identificação dos abusos, porém a maior parcela de responsabilidade é dos pais. Se ocorrer na escola, os pais devem estar atentos para também poder identificar", alertou a advogada.(C.F.)
SERVIÇO
Casos de pedofilia podem ser denunciados pelo Disque 100. O serviço de Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes funciona diariamente das 8 às 22 horas, inclusive nos finais de semana e feriados





