É preciso acreditar na possibilidade de mudança
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de novembro de 2002
Agência Folha 
Baptista lembra que é fundamental para os pais acreditar na possibilidade de mudança. ''É um mito para todas as deficiências. Diz-se sempre que não vai haver mudança, e por isso não se faz intervenção.'' Essa intervenção, alerta, deve ser não apenas terapêutica, como educacional. ''Isso significa também ter contato com pessoas desde cedo, e não necessariamente técnicos ou crianças iguais a ela. A experiência de contato social com crianças que não tenham a mesma síndrome é algo que pode ser extremamente positivo.''
Essa, porém, não é a postura usual quando se fala em educação para autistas. Não há um consenso quanto ao tema, mas atualmente no Brasil ainda vigora a premissa de que a criança deva ser atendida dentro de uma educação especial, distanciada da educação regular. Baptista, seguindo uma tendência mundial, vai em outra direção, concentrando esforços para que essas crianças possam ser inseridas no ensino comum, com apoio especial.
Ele cita o caso da Itália, onde fez seu doutorado sobre o tema em 1996, pela Universidade de Bologna. O país fechou as escolas especiais e promoveu uma adaptação nas escolas comuns para receber esses alunos. Entre os projetos que acompanhou, um relacionado ao atendimento de um aluno autista na sexta à oitava séries mostrou como a presença do diferente foi significativa para os outros alunos, inclusive com mudanças curriculares que incluíram estudos mais específicos sobre comunicação entre as discussões em sala de aula. A experiência é contada no livro, no capítulo ''Integração e Autismo''.


