Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil. Você pode até não gostar de um deles - ou de todos -, mas é preciso concordar que os três ícones da música popular brasileira souberam chegar aos 60 anos inteirinhos. Para quem pretende repetir a ‘‘façanha’’, o laboratório Schering lançou no mercado brasileiro, há um mês, a testosterona injetável, de aplicação trimestral. A deficiência do hormônio masculino é uma das características do distúrbio do envelhecimento masculino, também conhecido como andropausa ou hipogonadismo de início tardio.
  Além da perda de testosterona, a ‘‘menopausa’’ do homem causa a diminuição de 30% dos músculos do corpo (e o surgimento daquela ‘‘barriguinha’’), diminuição dos testículos, surgimento de mamas (ginecomastia), perda de pêlos no corpo e o motivo que mais leva os homens aos consultórios médicos: a perda do desejo sexual.
  A andropausa também pode aumentar riscos de problemas cardiovasculares. ‘‘Os pacientes com essa síndrome têm até três vezes mais chances de ter enfarte ou derrame’’, explica a diretora de Cursos do Departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Ruth Clapauch.
  Ao contrário da menopausa -que tem sintomas bem definidos e peculiares, como as ondas de calor, os suores noturnos e a irritabilidade -, a andropausa pode ser confundida com outros problemas, como estresse ou cansaço, já que seus sintomas são similares.
  Estudos mostram que de 10 a 20% dos homens acima dos 50 anos apresentam queda na produção de testosterona ocasionada pela andropausa. Nestes casos, a única solução é a reposição hormonal.
  A forma injetável traz os mesmos benefícios de outras fórmulas - como o gel ou os adesivos -, mas com a vantagem de exigir apenas quatro aplicações anuais. Há outras terapias que exigem 20 doses. A injeção é dada até nas farmácias. O tratamento mensal sai a um custo de R$ 120.
  Antes de receber a reposição de testosterona, é preciso tomar alguns cuidados. O urologista titular da Sociedade Brasileira de Urologia Ernani Rhoden alerta para os riscos que a terapia pode trazer para alguns pacientes. ‘‘Pessoas com apnéia do sono (pausas repetidas da respiração durante o sono) devem tratar o problema antes de receberem a testosterona’’, ensina.
  Recentemente, Rhoden publicou um estudo no ‘‘New England Journal of Medicine’’ afastando a relação entre reposição hormonal e câncer de próstata. ‘‘É improvável que a testosterona, por si só, esteja relacionada à maior incidência de câncer de próstata’’, diz ele. Rhoden diz que estudos comparativos entre homens que recebem a terapia e os que não fazem mostraram que o risco de câncer é o mesmo para ambos.
  ‘‘Só que a reposição hormonal deve ser um compromisso para o resto da vida, porque se supõe que os testículos funcionam mal ou não funcionam mais’’, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Sidney Glina. Só assim é possível envelhecer como um Chico Buarque.

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