E o futuro, mestres?

Londrina - Délio César tem aquela estatura intelectual que faz as pessoas acreditarem que ele tem resposta para tudo. Mas, às vezes, ele é capaz de dizer que não sabe. Isso ocorre quando alguém pergunta o que será a comunicação nas próximas décadas, por exemplo. "É muito difícil fazer uma previsão por causa do avanço tecnológico. Este nos atropelou, no bom sentido", resume o aposentado.
O velho jornalista, com experiência em projetar conteúdos para novas emissoras de TVs e novas experiências editoriais no impresso, como o Panorama e o Jornal de Londrina, acredita que a força da internet não podia ser calculada nem mesmo no final da década passada. "Participei de um evento no Rio de Janeiro em 1999, com especialistas do mundo todo em comunicação, e ninguém foi capaz de prever o que aconteceria nos anos seguintes", lembra. "Ninguém previa que a internet teria essa amplitude".
Ele acredita que a rede mundial de computadores democratiza a comunicação, permite que os canais com o leitor se multipliquem e que mesmo empreendedores com poucos recursos são capazes de manter um veículo. "Com conteúdo bom, com uma audiência qualificada, os anunciantes vão se interessar automaticamente." Délio acredita numa nova realidade, que faça as mídias caminharem juntas. "A internet é imensurável, tem espaço pra tudo." Para ele, o campo é tão grande que pode derrubar uma velha máxima da profissão, que diz que ninguém fica rico trabalhando nela e que ninguém foge à regra de ser um eterno empregado. "Até hoje, as exceções eram os jornalistas safados, os mordedores, os trambiqueiros. Agora não, os comunicadores podem ser empreendedores, com pouco dinheiro, garantir o próprio espaço e sobreviver disso."
Zezão ainda está no ar - todos os dias na Paiquerê AM, das 14h às 16h e das 21h30 à meia-noite misturando informação, prestação de serviço e música. O comunicador acredita que o rádio está prestes a viver um novo ciclo, com a multiplicação de canais de uma mesma emissora. "Acredito que um dia cada rádio importante como a Paiquerê terá transmissões simultâneas de esporte, notícias e música. O ouvinte terá a oportunidade de escolher", aposta.
Ele ainda desconfia da decisão do governo federal de transformar as emissoras AM em FM nos próximos anos, mas lembra que a qualidade técnica das transmissões pode agregar novos ouvintes. "Olha, se não for apenas uma jogada comercial, uma forma de fazer algumas empresas fornecedoras de tecnologia faturarem milhões em pouco tempo, eu sou completamente a favor." (L.F.M.)






