'É nessa hora que você vê o que importa'
Londrina - A morte acenou para o empresário Valdir Augusto no final de tarde de 2 de novembro do ano passado. ''Eu estava em Alvorada do Sul, com minha família. Passei o dia trabalhando na chácara, cortando grama, entre outras coisas. De manhã, por volta das 10 horas, senti uma dor no peito, foi um incômodo, até achei que era refluxo, mas passou rápido. Depois, à tarde, senti de novo a mesma dorzinha, mas não dei bola.'' Por volta das 18 horas, veio a dor. ''Dei um berro'', recorda.
O empresário tenta descrever o que sentia quando foi atingido por um infarto fulminante, mas encontra dificuldade para encontrar palavras. ''Acho que deve ser como tomar um tiro. É uma dor constante, que não para.''
Socorrido pela esposa e pelo irmão, Valdir Augusto foi para um hospital em Alvorada do Sul, onde foi confirmado o diagnóstico de infarto. ''Eu sentia que podia ser o fim, que iria embora. Falava para minha esposa para ela cuidar das crianças.''
Já na ambulância que o trazia para o hospital Evangélico, em Londrina, o empresário chegou a ver a imagem de dois amigos sentados um de cada lado e segurando suas mãos. ''Tomei seis doses de morfina, mas a dor não parou.'' Quando chegou ao hospital, uma equipe médica já o esperava para fazer uma angioplastia.
De acordo com o cardiologista Ricardo José Rodrigues, esse procedimento consiste em colocar um catéter na artéria entupida. ''Esse catéter é insuflado para desentupir a artéria e em seguida é colocado um stent (prótese), que mantém a artéria aberta'', explica.
Depois de cinco dias na UTI e quatro no quarto do hospital, ele foi liberado para voltar pra casa. O episódio mudou a forma como o empresário encara a vida. ''Foi um chacoalhão. É nessa hora que você vê o que importa, que é a família. No meu caso uma das razões (do infarto) foi o stress'', reconhece.
Ele acredita que a rotina intensa de trabalho foi a causa do infarto. Dono de uma loja de peças em Londrina e outro comércio em Curitiba, Valdir Augusto trabalhava de 10 a 12 horas por dia e era sedentário. Com 50 anos, o empresário de 1,70m pesava 84 quilos.
Seis meses após o infarto, o peso caiu para 76 quilos. E o ritmo de trabalho agora é outro. ''O comércio de Curitiba já passei para outro cuidar e aqui em Londrina já deleguei funções. Antes eu concentrava tudo'', admite.
Nos planos, apenas mais cinco anos de batente, antes de deixar os negócios sob responsabilidade dos filhos. ''A gente tem que ser meio hippie. Hoje não tenho horário para trabalhar, estou vivendo sem pressa. É como aquele ditado: quando a gente é jovem perde a saúde correndo atrás de dinheiro e quando é velho perde o dinheiro correndo atrás de saúde.''
A morte acenou para Valdir Augusto, que sobreviveu para contar a história dele. No entanto, outros 10 mil paranaenses, que também sofreram infarto no ano passado, não tiveram a mesma sorte.(D.B.)





