O coordenador de operações do Instituto de Pesquisas Meteorológicas de Bauru (Ipemet), Maurício Agostinho Antônio, teve informação da ocorrência de um tornado no município de Lençóis Paulista, interior de São Paulo, no mesmo dia que Itu foi atingido. Ele sobrevoou o local afetado, na zona rural, e o que viu foi impressionante. Um rastro de 18 quilômetros que deixou a terra exposta, com larguras variando de 100 a 500 metros. Os ventos abriram ainda uma clareira na floresta de pinus, relembrou.
Os sistemas de radar do Ipemet, instalados em Bauru e Presidente Prudente, cobrem uma boa parte das áreas afetadas pelos tornados. Entretanto, ainda é impossível prever se uma nuvem de tempestade gerará um funil de vento ou mesmo se ele se encontra em atividade numa determinada região. ‘‘Mas é indiscutível a ocorrência de tornados no Brasil, há registros concretos disto’’, comentou Antônio.
A cultura meteorológica do brasileiro é outro ponto que colabora para se deixar de identificar o fenômeno. O tornado é interpretado como vendaval, furacão ou tufão, ambos eventos de escala bem maior. O geógrafo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Paulo Roberto Martini, de São José dos Campos, passou a se interessar pelo assunto depois de ter contato com os estragos provocados nas instalações do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), situado numa área vizinha ao seu local de trabalho.
Em fevereiro de 1996, um tornado passou pelo meio do centro de aeronáutica arrancando vários eucaliptos e transformando uma torre de transmissão, construída para suportar ventos de 200 km por hora, num amontoado de ferro retorcido. No entanto, a estação de meteorologia do aeroporto militar a poucos metros do local não registrou a presença de ventos. Foi um fenômeno localizado e de extrema violência, observou Martini. (JO)

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