É impossível provar que não houve vazamento de informações, afirma Fraga
Brasília, 16 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, admitiu há pouco, no depoimento à CPI dos Bancos no Senado, que é impossível provar que não houve vazamento de informações sobre a mudança da política cambial. Mas ressaltou que cabe ao Banco Central e à CPI mostrar "que foi examinado cada cantinho, com todo o cuidado". Fraga disse que o Banco Central está investigando o vazamento de informações e o seu uso indevido. Ele dividiu a sua exposição em quatro partes: o vazamento de informações ; o lucro dos bancos; os casos específicos dos bancos Marka e FonteCindan e por último as implicações desses eventos para a condução da política econômica.
O presidente do Banco Central disse que a informação de que o câmbio estava sob pressão e de que havia dúvidas no governo em preservá-lo, já era pública. Ele trouxe um resumo à CPI de notícias de revistas e jornais que mostram essa situação. Citou particularmanete matéria da revista Veja que afirmava que o então presidente do BC, Gustavo Franco, estava cansado e que o diretor de Política Monetária, Francisco Lopes, o tinha substituído com sucesso, durante o período de férias. Ele citou também entrevista do ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros ao Jornal do Brasil, onde afirmava que o assunto da política cambial era amplamente discutido no governo. Fraga citou ainda um artigo que mencionava a possibilidade da saída de Franco e a substituição por Lopes. O presidente do BC afirmou que a saída de Gustavo Fra nco estava associada a mudança cambial. "Naquele momento, numa avaliação fria de quem participou muito tempo do mercado financeiro, a informação era pública", disse Fraga. Ele acrecentou, no entanto que isso "não significa que não tenha havido vazamento de informações".





