Um diagnóstico realizado pela empresa de consultoria ambiental Jequitibá a pedido da construtora que realiza a duplicação da PR-445 entre o distrito de Irerê e o município de Londrina revelou que em seis meses foram registrados 116 atropelamentos de animais no trecho de 15 quilômetros de obras. O estudo também contou com informações da Ong (Organização Não Governamental) MAE (Meio Ambiente Equilibrado) que mapeou os pontos da rodovia que inspiram mais atenção por parte dos motoristas com relação aos animais na pista. Na região entre o Parque Estadual Mata dos Godoy e o rio Tibagi existe um corredor ecológico por onde passam diversas espécies de animais.

Trecho da PR-445, entre Londrina e Irerê, tem registrado grande número de animais mortos por atropelamento; construção de passagens para a fauna tem sido reivindicada
Trecho da PR-445, entre Londrina e Irerê, tem registrado grande número de animais mortos por atropelamento; construção de passagens para a fauna tem sido reivindicada | Foto: Gustavo Carneiro

O assunto voltou a ser debatido e pautou a reunião conjunta das comissões de Política Urbana e Meio Ambiente e dos Direitos e Bem Estar Animal na Câmara Municipal de Londrina na semana passada na Câmara Municipal de Londrina. No entanto, não foi possível esclarecer se esses atropelamentos também resultaram em acidentes graves com feridos ou mortos, embora o risco seja constante.

Na ocasião estiveram presentes membros do Conselho Municipal da Cidade, Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina), DER (Departamento de Estradas de Rodagem), vereadores e da própria Ong MAE. O IAP (Instituto Ambiental do Paraná) chegou a ser convidado, mas nenhum representante compareceu ao encontro.

Dentre as principais espécies de animais atropelados, destacaram-se no diagnóstico a pomba-amargosa (Zenaida auriculata), com 11 registros, tatu-galinha (Dasypus novemcintus) e o gambá (Didelphis albiventris), com dez cada. Além de animais de grande porte como o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), com seis registros, e a capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), com uma ocorrência. Até espécies ameaçadas de extinção, como o gato-do-mato (Leopardus tigrinus) já foram encontradas às margens da PR-445.

De acordo com o presidente da ONG Mae, Gustavo Góes, seis pontos de passagem dos animais demandam mais atenção. Destes, dois ficam próximos do Ribeirão Cafezal e da Usina Três Bocas onde uma ponte foi elevada contemplando as necessidades das espécies que atravessam o local.

Já com relação aos outros quatro pontos houve um compromisso do DER de construir passagens secas em dois deles. “Existe uma passagem molhada, mas alguns animais que foram identificados mortos ali não passam, como o cachorro-do-mato. O estudo técnico apontou a necessidade de se fazer uma passagem seca”, informou Góes.

No entanto, a Ong MAE ainda briga com o Poder Público para encontrar a solução para dois pontos de passagem que apresentaram elevado número de atropelamentos.

"Ainda não temos até o momento uma posição oficial do IAP quanto a esse relatório. Até o pessoal do DER disse que o IAP estava para apresentar uma manifestação mas não temos isso certo, seria importante temos esta manifestação, cobramos, entramos na Justiça mas não temos esta informação de que eles se manifestaram oficialmente sobre isso", lamentou Góes.

Passa fauna

As chamadas “passa fauna” são consideradas importantes para a mitigação do problema e são ainda mais urgentes em áreas de preservação ambiental, caso do perímetro compreendido pela Zona de Amortecimento da Mata dos Godoy.

Segundo um funcionário do DER que compareceu à reunião da semana passada, mas não gravou entrevistas, medidas como esta estão contempladas no termo de referência para a elaboração do edital de contratação da empresa que vai assumir a duplicação da PR-445 no trecho até Mauá da Serra. Entretanto não garantiu a efetivação das medidas solicitadas na reunião.

“O que vai ser feito a partir de agora? Espero que cumpram realmente e vamos ficar atentos", afirmou a vereadora Daniele Ziober (PP), presidente da Comissão dos Direitos e Bem Estar Animal.

Ziober também apontou a necessidade de se olhar para outros pontos de passagem, como na estrada para o distrito de São Luis. "Tem dois pontos de passagem de fauna ali que podem ser feitos também. Vamos tentar integrar a passagem aérea para gambás”, explicou.

Um ofício foi elaborado com uma série de perguntas que também devem ser encaminhada à construtora responsável pela duplicação da rodovia. Dentre as medidas mais urgentes, estão definições para os pontos de passagem críticos apresentados, além do cumprimento de uma resolução do Conselho Estadual do Meio Ambiente que estabelece a necessidade de monitoramento constante das rodovias. “O próprio município de Londrina tem rodovias municipais indo para a Mata dos Godoy e até o Patrimônio Regina. E não é apenas necessário fazer o monitoramento e retirar a carcaça do animal morto. Se sobreviveu temos que ter um protocolo do que fazer com ele”, afirmou.

A reportagem não conseguiu contato com o IAP e o DER até o fechamento desta edição.

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