São Paulo, 14 (AE) - Dos 34 genéricos que fazem parte da última lista divulgada pelo Ministério da Saúde, apenas quatro são facilmente encontrados na maioria das farmácias da cidade de São Paulo. São os antibióticos ampicilina e cefalexina, o cloridrato de ranitidina, que combate úlcera, e o cetoconazol, um creme para micose. De acordo com os laboratórios fabricantes de genéricos, muitas vezes, o medicamento já aprovado não está nas prateleiras por causa da burocracia.
Segundo o gerente de marketing da Rede Droga Raia, André Gonçalves, os problemas de abastecimento de genéricos ocorrem em razão da grande demanda. "Desde que entrou o primeiro genérico no mercado, já vendemos 20 mil unidades", afirma. Ele acredita que a produção desses medicamentos ainda está numa fase de ajuste e, por isso, não consegue suprir as necessidades do consumidor. Apesar disso, a Droga Raia é a farmácia que oferece a maior variedade de genéricos. Numa unidade da zona norte de São Paulo, havia dez tipos de medicamentos. "Temos muito interesse em vender os genéricos", garante Gonçalves.
Em comunicado à imprensa, a Rede Drogasil também culpa os fabricantes pela falta dos genéricos nas farmácias. Na loja visitada pela reportagem só foram encontrados dois genéricos, a ranitidina e a cefalexina.A atendente de banco Frassy Carvalho foi à farmácia em busca do creme para micose, cujo genérico é o cetoconazol, e não encontrou o produto. "Não vou comprar um medicamento que não é genérico e pagar o dobro do preço", diz Frassy, depois de o atendente oferecer a ela um remédio de marca.
O cetoconazol, apesar de estar em falta na Drogasil, foi encontrado na Drogaria São Paulo visitada pela reportagem. A loja tinha ainda mais cinco tipos de genéricos. O problema é que a drogaria tem no máximo dez caixas de cada genérico, enquanto os remédios comerciais têm um estoque até três vezes maior.
Abrafarma - Para Francisco Deusmar de Queirós, presidente da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), é normal que os genéricos não cheguem às farmácias imediatamente após serem aprovados. A razão é simples: é necessário um tempo para que sejam produzidos. "Até julho, os genéricos já aprovados estarão com a produção normalizada, podendo ser encontrados com facilidade nas drogarias", afirma.
Entre os sete laboratórios autorizados a fabricar remédios genéricos, há um consenso de que nem todos os medicamentos estão à venda, por causa do processo operacional, que vai desde a produção até a distribuição. Jairo Yamassoto, gerente comercial do Laboratório Medley, explica que ontem foi aprovada a comercialização Captopril, anti-hipertensivo, que deve chegar às farmácias no fim de abril com 250 mil unidades.
Roberto Lafra, diretor comercial, da Knoll, do grupo Basf, responsável pela fabricação de cinco medicamentos enquadrados na Lei dos Genéricos, informou que a multinacional investiu US$ 2 milhões em testes de equivalência dos remédios. Entre eles estão o Aciclovir, antivirótico, indicado ao tratamento do herpes. Para Lafra, ainda há desinformação quanto aos remédios genéricos.
Carlos Sanches, do Grupo EMS, disse que a procura pelos genéricos ampicilina, cefalexina e ranitidina tem sido muito maior que a demanda. "Isso obrigou nossa empresa a interromper a produção por uma semana para adptarmos a fábrica a uma maior produção". A EMS tem duas fábricas em Hortolândia e uma em São Bernardo do Campo. Já o laboratório Glicolabor, que produz os anti-hipertensivos maleato de enlapril e o besilato de anlodipino, informou que não há problemas na produção e a aceitação do mercado tem sido boa.
Eduardo Henrique Rodrigues, gerente de genéricos da Eurofarma Laboratórios Ltda, disse que acabava de sair de uma reunião em que negociou a venda dos sete medicamentos injetáveis produzidos pela empresa. "No máximo em dez dias os primeiros medicamentos estarão à venda".

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