Londrina - Nildo Rocha Baía bateu com o punho fechado num pequeno armário de madeira. Que nota era? ''Um sol.'' Em seguida, após algumas batidas na porta do armário, ele explicou que ali o som era de um ''lá, percebe?''.
Em 1995 Nildo Baía entrou para a Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (Osuel). Nascido no Pará, na região amazônica, ele carrega desde a infância a admiração por sons. ''Eu lembro que quando criança ouvia cantos lindos de pássaros. Quase todas as brincadeiras de roda em que eu me envolvia tinha canto. Eu ouvia muito rádio, na minha região pegava umas estações do Caribe, que tocavam umas músicas muito melodiosas, como merengue, bolero. Era um ambiente sonoro muito rico'', recorda.
Com 12 anos, Baía mudou-se para Belém. ''Comecei a fazer aulas de música na época'', recorda. Ele acredita que o ouvido absoluto é um dom, mas explica que ninguém pode ter ouvido absoluto sem ter ouvido relativo, ''que é a capacidade de trabalhar as relações sonoras, melódicas e harmônicas, sem estar preocupado com a identidade (nota) do som''.
O ouvido absoluto, explica, é como se fosse uma especialidade dentro do ouvido relativo, que seria como o clínico geral. ''Ou para deixar mais claro, o ouvido absoluto é como um zoom de uma máquina fotográfica, enquanto o ouvido relativo é aquela imagem aberta'', resume.(D.B.)

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