Salvador, 02 (AE) - Mais de 200 mil pessoas foram hoje ao bairro do Rio Vermelho, na orla marítima de Salvador, homenagear Iemanjá, a rainha das águas, de acordo com o Candomblé. A festa de 2 de fevereiro, imortalizada pela música de Dorival Caymmi, é a maior manifestação dos adeptos da religião africana na capital baiana. Até a decada de 60 a comemoração era feita com os católicos, mas os pescadores brigaram com o vigário do bairro.
Quando a festa surgiu, na década de 20, os pescadores mandavam celebrar uma missa para Senhora Santana, na igreja do bairro pela manhã e, à tarde, levavam os presentes a Iemanjá no mar. O conflito ocorreu quando, numa homilia, o padre chamou os pescadores de "ignorantes" por cultuarem "uma mulher com rabo de peixe". Então a igreja ficou fechada e os pescadores passaram a cultuar apenas a entidade do Candomblé.
Desde o início da manhã de hoje baianos e turistas formaram duas filas quilométricas para levar os presentes (bijuterias, perfumes e flores) para o barracão ao lado da colônia de pescadores do Rio Vermelho. Nolocal 500 balaios ficam à disposição das pessoas que querem depositar seus presentes, quase sempre acompanhados de um pedido. Tradicionalmente os pescadores que organizam a festa oferecem o presente principal. Este ano foi a escultura da sereia Iemanjá, num trono de concha.
No final da tarde, os balaios foram colocados nos barcos da colônia e levados a até cerca de mil metros da praia, onde os presentes são jogados no mar. Depois as pessoas se entregam ao samba nas barracas de comidas e bebidas, instaladas no bairro do Rio Vermelho. Embora não seja feriado em Salvador, a cidade praticamente pára por causa da festa, seja pela quantidade de adeptos que vão homenagear Iemanjá, seja pelo imenso engarrafamento que se forma nas imediações do Rio Vermelho, com reflexos em toda cidade.

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