Duto da Reduc se rompeu e provocou vazamento de gás em fevereiro
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terça-feira, 21 de março de 2000
Por Irany Tereza. 
Rio, 22 (AE) - Pouco mais de um mês depois do vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara, outro acidente colocou sob suspeita a segurança nas instalações na Petrobras. No dia 29 de fevereiro um duto de gás propeno da Refinaria de Duque de Caxias (Reduc) se rompeu. A direção da refinaria afirma que vazaram 11 toneladas de gás. Segundo o Sindicato dos Petroleiros de Duque de Caxias, foram jogadas na atmosfera 40 toneladas do produto em duas horas e meia.
"A Petrobras está reduzindo pessoal e investimentos em manutenção de equipamentos na Reduc", diz o diretor do sindicato Luis Carlos Fonseca. A empresa, por meio de sua assessoria de imprensa, informa que até o início de abril estará pronto um mapeamento de todas as unidades industriais. A direção da estatal decidiu dobrar o volume de recursos destinados à proteção ambiental e à segurança industrial e o estudo, iniciado depois do acidente na baía, irá determinar onde serão feitos os investimentos.
Uma comissão de cinco peritos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), convocada pelo Ministério Público Federal, está esta semana na Reduc. Eles estão vistoriando os equipamentos para fazer um laudo sobre a segurança das instalações da refinaria e das instalações próximas. O trabalho deverá estar pronto no fim de abril.
"Não é uma auditoria ambiental", explica a procuradora da República Anaiva Cordovil. "É apenas uma espécie de levantamento prévio." A auditoria para ajustamento de conduta foi uma exigência feita à Petrobras, que terá de contratar uma empresa independente para um trabalho de seis meses.
A Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (Feema) inspecionou a Reduc logo depois do vazamento de gás. A empresa não foi multada porque não ficou constatado dano ao meio ambiente. O principal risco no vazamento de um produto como este é de um incêndio. A corrosão provocou o rompimento do duto. Altamente inflamável, o propeno poderia entrar em combustão, o que acarretaria um acidente de enormes proporções.
Relatório da Reduc apresentado na empresa no dia 15 de março informou que a causa do acidente com o gás foi "o fato da cota de dutos encontrar-se muito baixa naquela região da tubovia
somada ao assoreamento do canal perimetral, que levou à formação de um ambiente permanentemente úmido, gerando o desgaste que ocasionou o rompimento do dreno". Ou seja, houve corrosão do material do duto pelo contato com a água do canal usado para refrigeração dos equipamentos da refinaria.
"O duto estava coberto pelo mato, o que impediu que as pessoas vissem que ele estava embaixo dágua e um dreno estava submerso", explica Fonseca. "Isso é falha de manutenção."


