Durante missa, cardeal defende trabalho da PM
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de maio de 1997
Agência Estado 
RIO - O cardeal do Rio, dom Eugênio Salles (foto) defendeu ontem o trabalho dos policiais militares no combate à criminalidade durante missa em Ação de Graças pela passagem do 188º de aniversário da Polícia Militar e pela morte de 42 policiais em serviço nos últimos 12 meses. A cerimônia foi realizada na Catedral Metropolitana do Rio, no Centro, e teve a presença de pelo menos 400 policiais militares, familiares dos PMs mortos e do alto comando da Polícia Militar. De acordo com estatística da Secretaria de Segurança Pública, cinco policiais morreram em serviço desde o início do ano.
Na homilia, dom Eugênio Salles ressaltou a coragem dos policiais que foram mortos em serviço, defendendo a sociedade das mãos de bandidos. O cardeal afirmou que seria bom que a sociedade reconhecesse o trabalho e esforço dos policiais militares, que são apenas lembrados pelos familiares e pela corporação.
Toda instituição tem suas falhas, mas onde há pecado existem falhas, lembrou o cardeal. A polícia precisa se aperfeiçoar para melhorar cada vez mais, disse. Ele destacou ainda que o policial não deve ser homenageado após sua morte, mas diariamente pelo serviço prestado à população.
Ao final da missa, a Polícia Militar presenteou o cardeal com um quadro intitulado Minha casa tem muitas moradas, do artista plástico Roberto Pumar. A pintura retrata a capela Nossa Senhora das Dores, que fica dentro do Quartel General da PM, tendo ao fundo a Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro. O quadro foi entregue pelo capelão da Polícia Militar, tenente-coronel Rafael Pinheiro.
O secretário de Segurança Pública, general Nilton Cerqueira, cumprimentou os familiares dos policiais mortos após a cerimônia. Ele confortou a viúva Maria Aparecida Santos, de 25 anos, que perdeu o marido, soldado Adilson Rodrigues Silva, ao reagir a uma tentativa de assalto no ano passado. Na época do crime, Maria Aparecida estava grávida de três meses. O filho, hoje com um mês de idade, recebeu o nome do pai. A outra filha do casal, Jacqueline, tem sete anos.
Cerqueira aproveitou a oportunidade para criticar a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o presidente do Clube de Oficiais da PM, Ivan Bastos, que criticaram, recentemente, a concessão de gratificação por pecúnia e promoções por atos de bravuras dados pela Secretaria de Segurança Pública aos policiais que se destacaram em serviço. Os policiais merecem receber promoções porque arriscam a própria vida enfrentando criminosos, defendeu Cerqueira.


