Durante uma festa dos alunos de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), um estudante de Direito afirmou ter sido agredido por um segurança e ter sido vítima de homofobia.

A festa tinha o nome de Carecas no Bosque e foi realizada no sábado (31), no campo da AAAOC (Associação Atlética Acadêmica Oswaldo Cruz), ao lado do Hospital das Clínicas, na zona oeste de São Paulo.

De acordo com o estudante, o segurança do evento teria barrado sua entrada no bosque, uma das dependências da festa, com outro rapaz. No momento das ofensas, o aluno gravou a discussão e ainda levou um soco no rosto. Segundo o segurança, a entrada no local seria só para casais heterossexuais. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o universitário revela ter registrado o caso na Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância).

Segundo o presidente da associação, Douglas Rodrigues, estão conversando com a vítima para saber o que aconteceu. Ele nega que tenha havido qualquer tipo de ordem contra a presença de homossexuais. Em nota, a FMUSP (Faculdade de Medicina da USP) informou que não recebeu nenhuma denúncia sobre a festa, que era de responsabilidade da AAAOC.

A delegada do Decredi, Daniela Branco, conta que o boletim de ocorrência foi registrado apenas em referência à agressão física, já que o caso de homofobia não se encaixa como crime. Ela ainda explica que o que pode ocorrer é uma punição administrativa.

A Lei Estadual 10.948, apresenta as penalidades a serem aplicadas à prática de discriminação em razão de orientação sexual. Determina que "proibir o ingresso ou permanência em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, aberto ou público" deve ser punido. Cabe à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania promover a instauração do processo administrativo.

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Pelas redes sociais, outra estudante revelou também ter sido barrada ao entrar no bosque com a namorada. Adriana (nome fictício) é aluna de Psicologia. Ela diz ter ouvido que "apenas casais de verdade" seriam liberados. Para ter acesso a festa, as duas precisaram fingir que estavam com dois rapazes.

Em nota, o NEGSS (Núcleo de Estudos em Gênero, Saúde e Sexualidade), coletivo organizado por alunos da FMUSP, dispôs-se a ajudar quem quisesse registrar queixa sobre o evento.

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