Cidade de Gaza, 01 (AE-AP) - Reunidos a portas fechadas em uma sessão marcada por discussões acirradas, o Conselho Legislativo Palestino condenou duramente nesta quarta-feira (01) colegas parlamentares que assinaram um manifesto acusando Yasser Arafat de corrupção dentro da Autoridade Palestina (AP).
No entanto, os deputados pararam antes de retirar a imunidade parlamentar dos nove dissidentes, uma decisão que os deixaria vulneráveis à prisão e a processos judiciais. Arafat já determinou a detenção de 11 intelectuais palestinos que assinaram o documento. Por não serem deputados, eles carecem de proteção contra sanções legais.
A votação interrompeu o que seria a escalada de um confronto entre governo e dissidentes. Mas o episódio demonstrou a crescente indignação do público com gastos, fraudes e má administração na AP, renovando questões problemáticas sobre o estilo autocrático de Arafat.
Isto também enviou um sinal de que não haveria relaxamento das restrições à liberdade em terras palestinas, particularmente o forte tabu contra qualquer crítica pessoal ao líder palestino de 70 anos de idade.
O presidente do parlamento palestino, Ahmed Qureia, mais conhecido como Abu Ala, disse a jornalistas após a votação que seria criado um painel para monitorar as declarações públicas dos parlamentares.
"Este problema está encerrado por enquanto, mas haverá uma comissão e um procedimento para lidar com esse tipo de questão"
disse ele.
Abu Ala e outros importantes partidários de Arafat descreveram o manifesto anticorrupção, divulgado durante o fim de semana, como um trabalho de incitação.
Em Ramallah, na Cisjordânia, o Fatah - facção de Arafat - organizou uma manifestação de apoio que reuniu cerca de 4.000 pessoas. "Unidade, unidade, unidade nacional", cantavam os manifestantes.

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