DuPont vai ampliar debate global sobre transgênicos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por Regina Cardeal 
Wilmington, Delaware, 24 (AE) - A DuPont, maior grupo químico dos EUA, está adotando a posição estratégica de estimular o debate global sobre os alimentos geneticamente modificados. A empresa, que investe US$ 1,3 bilhão por ano em pesquisas, boa parte das quais em biotecnologia, vai criar um comitê global para monitorar e orientar suas ações na área, disse hoje o executivo-chefe, Charles Holliday, na sede da empresa em Wilmington, Estado de Delaware (EUA). Ao mesmo tempo, Holliday citou a América do Sul como uma região de "grande potencial de crescimento".
O comitê, que vai ouvir também os grupos de acionistas da empresa contrários à biotecnologia, ficará encarregado de fazer auditorias e divulgar regularmente seus resultados ao público. "É importante examinar os benefícios e os riscos (da biotecnologia) para desenvolver as salvaguardas apropriadas", disse Holliday ao defender a ampliação do debate. O comitê é parte do plano de quatro pontos para a próxima década que Holliday apresentou na quinta-feira ao Clube de Executivos-Chefe em Boston.
Além do comitê, que deverá ser instalado em janeiro, o plano prevê que, até 2010, a DuPont terá de originar 25% de sua receita a partir de matérias-primas renováveis, como plantas. Em 1998, essas fontes responderam por apenas 5% da receita. Com referência ao temor dos riscos sobretudo dos alimentos transgênicos, Holliday disse que "é importante que seja dado ao consumidor a opção de escolha". Neste sentido, a DuPont promete desenvolver sistemas de rotulagem que sejam científicos e claros para o usuário.
A divulgação do plano integra a iniciativa da DuPont de focar seus negócios em biotecnologia. Dentro do projeto, a empresa concluiu no mês passado a venda de sua petroleira Conoco
numa transação estimada em US$ 22 bilhões. A oferta inicial de 30% das ações da Conoco, por US$ 4,4 bilhões em outubro de 1998, marcou a maior operação do gênero nos EUA. Ainda como parte da iniciativa de marcar presença como uma companhia de ciências da vida, a DuPont adquiriu a Pioneer, maior empresa de sementes do mundo, que deverá ser totalmente integrada ao grupo em outubro.
Campanha - Para firmar sua nova imagem sob o lema "Milagres da Ciência", a DuPont lançou esta semana uma campanha publicitária global, ao custo de US$ 53 milhões. No Brasil, a campanha na televisão está marcada para começar em janeiro. O filme publicitário que será exibido no mundo todo mostra tarefas que a empresa se propõe a realizar, tais como tornar potável a água do mar e encontrar formas de combater o HIV.
Brasil - Ao ser perguntado sobre as regiões em que espera maior crescimento, Holliday citou em primeiro lugar a América do Sul, seguida pela ásia. Conforme o presidente da DuPont para a América Latina, Henrique Ubrig, revelou esta semana à Agência Estado, a empresa vai anunciar nas próximas semanas um grande investimento no setor têxtil no Brasil.
Ao lado deste projeto já definido, a empresa estuda ainda implantar uma fábrica de proteína de soja no País, para substituir o produto importado dos EUA. Além de atender o mercado local, a produção seria destinada à exportação. Ubrig projeta os investimentos do grupo no Brasil no próximo ano em US$ 100 milhões, o dobro do montante investido este ano.
O Brasil respondeu por 60% das vendas de US$ 1,3 bilhões registradas pela DuPont no ano passado na América do Sul. No mundo, a DuPont fechou 1998 com vendas de US$ 24,76 bilhões e lucro líquido de US$ 4,5 bilhões.


