Duplicação da PR-445 apresentou problemas estruturais
Um dos casos mais emblemáticos de problemas estruturais em obras asfálticas no Paraná é o da PR-445, no trecho entre Londrina e Cambé. Após atrasos, a obra chegou a ser entregue em 2016, mas, após alguns meses, apresentou rebaixamento e rachaduras nos viadutos e ondulações na pista. Somente neste ano, após várias correções, o trecho foi liberado. Atualmente, as obras estão em fase de ajustes finais.
O governo estadual ressaltou que todos os custos pelos reparos na obra foram de responsabilidade das empresas contratadas. Segundo a Seil (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística), apesar do cenário desfavorável, o Paraná possui "condição diferenciada" em relação às rodovias em nível nacional.
A Seil aponta dados da própria CNT, divulgados no anuário estatístico de 2017, que mostram que 45,3% das rodovias paranaenses são classificadas como ótimas ou boas. O índice é superior à média nacional (41,7%) e também em relação aos demais Estados do Sul: Santa Catarina tem índice de 40,6% e o Rio Grande do Sul, de 37,2%.
"O governo está trabalhando para que a avaliação das condições rodoviárias do Estado seja crescente nos próximos anos, mantendo-se acima da média nacional. Somente em obras de conservação e manutenção serão investidos R$ 2,3 bilhões em intervenções que irão beneficiar os 399 municípios do Paraná. Todo o pacote de obras está em fase de licitação", informa a secretaria, por meio de nota.
Desde o início das obras na PR-445, o Ceal (Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina) realiza o acompanhamento da duplicação da rodovia. Além de já ter identificado as falhas na estrutura, os engenheiros vão monitorar a rodovia pelos próximos dois anos. Para o professor da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e integrante do Ceal, Carlos Costa Branco, as falhas ocorreram no projeto de concepção da obra. "É preciso considerar o comportamento do solo e o impacto das variações climáticas sobre as técnicas utilizadas", ressaltou. Este é um dos itens citados pelo estudo da CNT para a pavimentação e conservação das rodovias em todo o País.
Costa Branco também lembrou a falta de fiscalização da qualidade das obras e as poucas balanças em uso nas estradas que deveriam ser utilizadas para verificar o peso dos caminhões que trafegam nas rodovias. "Estudo feito por um estudante da UEL apontou que quando os caminhões trafegam com o dobro da carga, a duração da pavimentação das rodovias cai de dez para apenas um ano", ressaltou.
Para o gerente do Departamento de Fiscalização do Crea-PR (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná), Diego Colella, as rodovias, de uma forma geral, necessitam de manutenção programada. "O volume de manutenções ainda torna complicada a reabilitação da pavimentação das rodovias, de uma forma geral. A frequência e o volume de ações para tornar o tempo de vida dela maior por vezes deixa a desejar. Muito pela burocracia. Seria necessário estabelecer um calendário de ações para que as rodovias não estejam tão degradadas antes de passarem por manutenção", apontou. (C.F. e Viviani Costa)





